Capítulo 7° – O Sorriso mais lindo do mundo



Estávamos todos no fumódromo. Marcus estava do meu lado. Eu ainda não estava acreditando em tudo o que estava acontecendo. O cara do ônibus, que maneiro! Ele me contava muitas coisas e nós conversávamos animadamente, mas de repente, nós vemos uma cena que nos chamou atenção  e de todos os que estavam no lugar:  A Laira estava cantando funk,  a Jenifer dançando, enquanto o Alifer e o Rogério faziam Beatbox (barulhos com a boca, imitando batidas de música.).  Jerson estava sentado  e aplaudindo. Eu e o Marcus levantamos e fomos lá ver de perto o que eles estavam aprontando.
 Quando a Laira me viu, ela começou a cantar acompanhada pelo Beatbox dos meninos.



- “O Paulo é meu amigo, o Paulo meu irmão, se tu magoar ele, você vai levar é um socão. Mas ao contrário, se você lhe fazer bem, eu vou te dar um abraço e te dizer: Vem neném, vem neném, vem neném, vem neném, vem!”.
Nós rimos muito. Paulo não se intimidou e falou:
- Pode deixar que eu não vou magoar ele não. Esse menino vale ouro – falou o Marcus me dando um beijo na testa – Mas se você me permitir eu gostaria de mandar uma rima também, posso?
- Claro que pode – falou a moça.
- Rogério e Alifer, vocês me acompanham? – pediu Marcus.
Eles voltaram a fazer BeatBox e a Jenifer continuou dançando, enquanto era aplaudido pelo Jerson. Então ele cantou
 –  “Demorei bastante pra encontrar esse anjo, agora que eu achei, não vou soltar mais não. Menino minha vida, menino meu gatão, me de um beijo agora, que eu te dou meu coração. E para encerrar, eu te digo assim, fica comigo pra sempre, que eu vou te fazer feliz” – ele estava ajoelhado na minha frente, segurando a minha mão.
Uma nova sensação me dominou, eu havia desmontado e havia desmoronado. Eu estava sorrindo e dando um beijo no Marcus, porque eu queria o coração dele. Quando ele me perguntou o que eu achei, eu disse:
- Nossa Marcus, você me “Desmorontou”.
Ele riu.
- Eu o que?
- “Desmorontou”, ou seja, você me desmontou e me desmoronou, tudo ao mesmo tempo – falei rindo,
Todos riram. Alifer então me disse:
- Ai Paulo, você que “desmorontou” a gente. Inventando palavras agora? Agora só porque faz letras, esta inovando o vocabulário? – falou Alifer – A pessoa do grupo que inventa palavras sou eu.
- Estou inventando também – falei -  Rogério e Alifer, eu também quero tentar, vocês podem fazer uma batida e rap mais lenta pra mim?
Eles começaram a fazer as batidas.
- “ Há uns quatros anos atrás, o Marcus no ponto de ônibus eu vi, cheguei a achar que não íamos mas se encontrar, ele foi para um lado, eu fui para o outro, sem contato ficamos, que coisa nos enrolamos! -  os meninos continuavam fazendo as batidas – “ Eu estava com o Tiago, que me botava um galho, no natal, ele se deu é mal, eles levou três chutes animal” – quem sabia da minha vida ria muito, Jerson comemorava – “Depois veio o Vicente, tão calmo e paciente, mas no meu aniversário ele pegou o Carlos . Meus amigos estavam lá, para me ajudar, nós não fomos intolerantes, jogamos refrigerantes. Chateado eu fiquei, mas não “desmorontei” animado eu voltei, o moço do ônibus eu reencontrei” – cantei apontando o Marcus e sendo aplaudido por todos ali.
Marcus veio correndo, me pegou no colo.
- Lindo, essa é história da sua vida pelo o que eu estou vendo?
- Praticamente um resumo dos quatros anos depois que nós nos vimos. Pode ficar tranquilo que eu vou te contar tudo o que aconteceu.


Depois de sair da balada, fiquei com o Marcus esperando o pessoal sair também. Eles pagaram e também saíram. Quando estavam todos lá, eu perguntei:
- E ai o que vocês vão fazer agora? – perguntei ao resto da turma.
- A gente vai embora – falou o Alifer – Nós estamos acabados de tanto dançar.
- Eu, a Laira e a Jenifer também vamos embora – falou o Jerson.
Dei um abraço neles, enquanto eles diziam para a gente tomar cuidado, pois Londrina estava perigosa. Depois que eles foram embora, Marcus me falou:
- Nossa, eles gostam mesmo de você.
- Sim, eles me ajudaram muito quando eu precisei, se eu estou aqui conversando com você agora e estou super tranquilo, é porque eles me ajudaram dando muita força.

Eu fiquei conversando com o Marcus, na academia ao ar livre, que fica na frente do “Moringão” (estádio de esporte, que também é usado para fazer shows e apresentações). Estávamos lado a lado, andando em aparelhos que simulava a caminhada.
- Paulo, agora me conta quem é aquele cara que disse que era o seu namorado? – perguntou o Marcus.
- Ele é o meu ex, o Vicente. O retardado estava se pegando no dia do meu aniversário, dentro do armário, junto com o cara que contou para os meus pais que eu sou gay.
- Como assim? Nossa, muita informação – falou ele rindo – Dentro do armário e no dia do seu aniversário? Como ele conseguiu isso?
- Pelo o que eu consegui entender, o Carlos estava ficando com ele escondido, usando ele para me prejudicar. O Carlos era apaixonado por mim, mas eu não gostava dele, exceto como amigo. E desde então ele começou a fazer coisas para me fazer mal. Como ficar com o meu ex, na época que namorávamos e morávamos juntos, ligar para os meus pais contando que eu sou gay, me fazer perder o emprego – falei contando nos dedos - Sabe como é, as vezes  amor não correspondido vira ódio. Sobre o dia do armário, eu nem te falei o pior, eles estavam pelados e continuaram pelados o tempo todo enquanto discutiam conosco.
- Coisa de gente baixa – falou o Marcus – Nossa, eu vou ficar longe desses caras. Mas você gostava muito dele? Digo, do seu ex-namorado.
- Olha eu achei que tivesse gostado dele, mas fui vendo que isso não era tão recíproco e talvez não fosse amor, mas sim companheirismo. A gente já estava desgastado também, já estava pensando em terminar o relacionamento, a gente só brigava, sabe.  E algumas vezes as ações dele, não condiziam com os sentimentos que ele falava que tinha.
- Como, por exemplo?
- Uma que vez que eu estava ficando com sintoma de depressão, porque nós não tínhamos dinheiro para pagar as contas, dai também não conseguíamos comprar comida direito, eu já estava ficando fraco, triste e eu então decidi ir ao médico. Ele havia ido comigo. Quando saímos do médico, tinha começado uma chuva fraca e ele queria ir correndo para casa, que no caso estava longe da onde estávamos e eu disse para irmos andando, porque aquela chuva iria passar rápido e correndo nos molharíamos mais, ou a gente procurava um lugar para esperar tudo passar. Então ele gritou comigo dizendo que eu ficasse ali e que ele não podia perder tempo. O Vicente saiu correndo e me deixou na chuva sozinho, dizendo que ele não poderia ficar gripado.
- Mas o que você fez depois disso? – perguntou o menino preocupado.
- Eu fiquei bravo com ele, mas depois ainda passei na padaria e comprei pães para nós com o pouco dinheiro que eu tinha na época. Quando eu cheguei no apartamento ele estava tomando banho e ficou me pedindo milhares de desculpas. Mas isso para mim mostra uma falha de caráter da parte dele.
- Eu continuaria com você andando na chuva, não ia deixar você sozinho – comentou ele de um jeito muito fofo – Principalmente com você estando depressivo.
- Obrigado, você é o máximo.
- Por nada. Mas porque que você acha que ele se envolveu com o Carlos? Pelo o que você disse, o Carlos queria vingança e o Vicente o que ele queria?
- O Vicente é um tipo de pessoa totalmente desprezível. Eu ficava contando para ele o que o Carlos havia feito e ele ficava perguntando mais detalhes, como por exemplo, se o Carlos era bonito, se era bom de cama ou algo tipo.
- Sério? Nossa que ridículo.
- Sim, muito ridículo. O Vicente é um tipo de pessoa, que se você contar a ele que você foi estuprado quando criança, ele vai te perguntar se o cara tinha pênis grande – e olhando a cara de espanto do Marcus, eu complementei – Sim, ele ficaria excitado em ficar sabendo disso. Eu acho que ele ficava pensando no Carlos, em como ele deveria ser na cama e foi atrás. Sei lá, isso é o que eu imagino, vindo do Vicente eu não duvido nada. Se for verdade isso, o Carlos aproveitou ele para me ferir.
- E como você esta hoje em dia?
- Muito bem, muito bem mesmo. Tudo isso o que me feria antes, hoje em dia ficou só na lembrança, não me atinge mais. Sou um cara feliz.
- Que bom ficar sabendo disso. Você era da onde, antes de vir para Londrina? Desculpa se eu to te perguntando um monte de coisas, mas você é um cara muito interessante. Daqui a pouco vai achar que eu sou um repórter.
- E você é muito lindo – falei dando um beijo nele – Tudo bem, eu gosto de falar da minha vida, eu não tenho problemas com isso não. Eu morava com os meus pais em uma cidade pequeninha aqui no centro do Paraná. Mas pequena mesmo, com uns doze  mil habitantes e a maioria nem mora na cidade e sim nos sítios e fazendas na redondeza. Você é da onde?
- Eu morava ali perto de Pato branco, Guarapuava, mas mudei para londrina com meus pais, porque o meu pai mudou de emprego.  Sempre gostei daqui, é uma cidade muito atraente, mas agora vejo um novo motivo para gostar dela – falou sorrindo e me dando um selinho – Vou dar só um selinho, porque aqui é um pouco perigoso nesse horário.
- Tudo bem, também tenho medo. Agora são cinco e meia da manhã, pode passar alguém e fazer algo.
- Olha Paulo, eu não consigo prever o futuro, mas posso te garantir que eu estou te achando muito legal, nunca achei alguém igual a você. Aliás, encontrei sim, isso foi em 2007, em um ponto de ônibus, ele riu de mim que eu estava todo molhado da chuva, acredita nisso? Um carro me molhou e o cara riu – falou ele rindo – Mas eu nem liguei, já naquela época já tinha te achado bonito.
- Sério, você tinha me achado bonito?
- Tinha sim. Você estava tão simpático, falando, brincando e sorrindo. Você falava de um jeito que era contagiante, tinha um jeitinho tão inocente, tão fofo. E com um jeitinho caipira que era a coisa mais lindo do mundo.
- Inclusive, algumas pessoas me chamavam de caipira ou de caipira “simprão” – falei.
-  Mas como eu também não sabia se você era gay ou não, nem falei nada – falou ele rindo – Queria eu ter te falado alguma coisa ou te passado meu celular de telefone.
- Olha, aquele foi um dia depois de eu dar o primeiro beijo na boca.
- Não acredito, me conta tudo – falou o Marcus interessado enquanto andava na bicicleta da academia ao ar livre.
- Então, eu cheguei em Londrina e o pessoal do meu trabalho me chamou para ir na boate. Lá o povo ficou dando em cima de mim e eu falei que nunca tinha beijado.
- Não creio – falou ele pasmo.
- Pode crer. Dai, estava no momento do show das drags. Acontece que a drag que ia apresentar me ouviu falando isso e me fez subir no palco. Ela saiu escolhendo um homem e escolheu o Tiago, que era um cara que eu já tinha visto no lago igapó. Começou a tocar uma música bonita e ele me beijou.
- Eu não sei se eu teria coragem de subir em um palco, se bem que se fosse para beijar você eu com certeza subiria – ele ria.
Gente, pensa em um menino que ri? É o Marcus. Ele deveria estar muito feliz.
- Sabe o que aconteceu depois? – perguntei.
- Não, não tenho nem noção .
- Depois eu estava passando o natal com o Jerson e com a Laira, quando  o Tiago aparece lá com um namorado dele. Esqueci o nome dele, mas coitado, ele não sabia de nada e também era chifrado. Ele nos enganava e ainda pedia dinheiro para a gente.
- Você deu dinheiro para ele?
- Não, eu nem tinha. Mas eu estava curtindo tanto ele, que eu tinha dito que ia falar com meus pais para conseguir esse dinheiro que ele precisava.
- Menos mal.
- Verdade. Eu sempre falava que eu ia guardar os meus beijos para uma pessoa especial, mas o meu primeiro beijo foi com um cachorro.
- Pois é, o cara especial você conheceu no outro dia, eu! – falou Marcus rindo.
E se o Marcus estivesse certo? Se eu gastei meu beijo no dia errado? Deveria ter esperado mais tempo, assim não iria ficar com o Tiago. Se bem que iria beijar o Marcus aonde? No ponto ou dentro do ônibus?
- Paulo, você me faz sentir muito bem, faz tempo que eu não me sentia assim. Essa noite foi muito diferente para mim, você parece que faz florescer o meu melhor. Você é diferente de qualquer pessoa que eu tenha ficado. Você sabe que nesse meio que vivemos tem muita gente promiscua. Não só no meio homossexual, mas no heterossexual também. Conhecer alguém legal e ser levado a sério, hoje em dia é algo difícil.
E ele ainda era inteligente! Suspirei internamente.
- Concordo com você Marcus. Hoje em dia parece que as pessoas só querem sexo. Eu não sou um cara com esse lado tão aflorado, sabe. Não que eu não goste, mas eu não fico perguntando para alguém se ele é ativo ou passivo. Aliás, eu odeio que me perguntem isso.
- Ainda bem que eu não perguntei – ele riu e eu também.
- Se você tivesse perguntado eu teria saído de perto de você e te deixaria lá procurando outra pessoa.
- Bobo, mas de verdade, isso é o que menos me importa, o que me importa mesmo é quem você é. Ou seja, esse cara legal e gente boa que eu estou vendo aqui na minha frente.
Novo suspiro!
- Mas eu acho que eu mudei um pouco, sabe Marcus.
- Como assim?
- Quando eu vim para Londrina, eu era um cara um tanto caipira, como eu te disse. Eu não tinha vivido tanta as coisas, eu acreditava mais nas pessoas e caia em qualquer papinho. Eu era só um rapaz que amava música e queria pode viver. Mas morando aqui em Londrina, muitas coisas não deram certo, eu apanhei muito da vida e inclusive nem ouvia mais tantas músicas quanto antigamente – ele me olhava atentamente – Tive que trabalhar para comprar comida, e nisso também tive aprender a fazer comida, pois eu não sabia fazer nada.  Tinha que pagar o condomínio, a luz e a ainda comprar alguns livros para a faculdade.  Sem falar que depois do trabalho, eu ainda tinha que chegar em casa e estudar para uma prova, ou fazer trabalho de faculdade.  Isso tirou muito da minha pureza de menino bobinho do interior. Fui forçado a crescer.
- Uau, que história a sua. Eu não vivi tanta coisa assim, mas imagino como é difícil – falou o rapaz -  Eu já namorei antes e também fui traído. Meu namorado na época saiu de casa dizendo que ia para a casa dele, como ele tinha esquecido o celular, eu fui atrás para entregar. Encontrei ele beijando outro cara na praça.
- Que horrível, você não mereceu isso. Ninguém merece ser traído – falei.
Eu também me sentia muito bem, como há muito tempo eu não sentia. Ou melhor, nunca tinha sentido aquilo. Havia na minha frente um rapaz lindo, engraçado, que estava me fazendo contar coisas que eu normalmente eu não contava a ninguém (exceto ao Jerson)  e ele também estava contando da sua vida. Sem falar que estava me dando uma atenção incrível. O simulador de caminhada já estava me deixando sem fôlego.
- Marcus, vamos parar um pouco? – falei parando – Caminhar, enquanto conversa está me deixando sem fôlego – nos rimos.
Eu sentei em um banco para respirar um pouco.
- Estou vendo que alguém não esta fazendo exercícios, não é mocinho?
- Esta um pouco corrido para mim, sabe como é, o trabalho esta me ocupando muito do meu tempo.
- Sei, mas você tem que fazer exercícios, nem que seja 30 minutos por dia.
Eu estava adorando ele cuidando de mim. Ele também parou e sentou no  banco comigo.
- Ou você quer ficar gordão quando você ficar mais velho? – perguntou ele.
- Não, eu não quero ficar gordão – falei, imitando criancinha.
- Então, trate de praticar esportes, nem que seja só andar no igapó, ou no zerão.
Outra coisa que eu fazia quando vim para Londrina e que hoje dia eu não faço mais.
- Seu lindo, obrigado – falei.
- Obrigado pelo o que?
- Por estar cuidando de mim.
- Não precisa agradecer, eu só cuido das coisas que eu gosto – falou ele chegando perto dos meus lábios.
No momento em que ele ia me beijar, passa uma senhora do outro lado da rua, gritando:
- Isso não é coisa de Deus – ela estava com uma bíblia na mão.
O Marcus gritou para ela:
- Não é isso o que é a senhora esta pensando. Ele é meu irmão e tinha caído um cisco no olho dele, eu estava perto dando uma olhada se caiu mesmo – ele falava de um modo que eu estava quase acreditando.
- Mentira, vocês são é veadinhos, bichinhas. Os dois vão queimar no inferno – falou ela indo embora.
Nos rimos muito alto.
- Na verdade é viadinhos e não veadinhos. Viados, vem de desviados de conduta. E veados são os animais.
- Ela já foi – falou o Marcus.
- Eu sei, mas mesmo assim ela mereceu ser corrigida. Agora pode me dar aquele beijo que a aquela senhora atrapalhou?
- Claro que posso, senhor viadinho.
Ele me beijou e me abraçou. Tinha a boca mais macia do mundo e aliás, beijava muito bem. Que as bichas não descobrissem isso. Eu havia “desmorontado” novamente. Olhando as horas, resolvemos ir embora, andando até o meu apartamento.
- Não precisa me levar lá não – falei ao moço que me acompanhava.
- Deixar eu ficar mais um pouquinho com você? De repente você é do tipo de homem que não liga no outro dia. Eu demorei quatros longos anos te procurando, acha que eu vou deixar você sumir? – perguntou ele.
- Você acha que vai se livrar fácil de mim?
- De verdade, espero que não – falou o moço lindo.
Eu também esperava que não. O sol estava nascendo, então sentamos no meio fio perto de casa e encostamos em uma árvore.
- Que coisa mais linda! – falei olhando o sol.
- Sim e que sorriso – falou o Marcus me olhando.
Comecei a rir dele.
- Besta, eu estava falando do sol – falei.
- E eu de você. Me da mais um beijo?
- Um? Só um? Umzinho só?  -  perguntei – Parece que alguém aqui é viciado em beijos.  Dei dois beijos nele.
- Mais eu só quero um – falou o Marcus, ironicamente.
Dei um beijo demorado e delicioso nele. Ele havia gostado, estava até sem ar.
- Que fogo é esse? – perguntou a mim.
- Desculpa.
Ai Paulo, que vergonha! Só eu mesmo.
- Desculpo nada, eu quero mais – falou me puxando.
Eu que estava sem fôlego agora. Era diferente de qualquer beijo, era mais gostoso, sensível e ao mesmo tempo me deixava louco e eu ficava querendo muito mais. O telefone dele, tocou:
- Alô? Oi mãe! – e me olhando, fez um sinal que era a sua mãe – Estou aqui na padaria agora, me alimentando. Tudo bem mãe, eu não vou demorar muito para ir embora, terminando aqui, já estou indo. Beijos – ele desligou.
- Nossa, a sua mãe ligou uma hora dessas?
- Sim, ela esta preocupada. Ela fica vendo essas noticias nos jornais e fica impressionada – falou ele.
- Tadinha, ela deve estar com muito medo de que algo te aconteça.
- Com certeza, eu sou o único filho que mora com ela, a gente é muito apegado um ao outro.
- Então vamos indo nessa – falei me levantando.
Ele também se levantou. Quando chegamos ao portão do meu prédio, ele me falou:
- Pronto, está em casa mocinho.
- Obrigado por ter me trazido – falei dando um abraço nele.
- Eu que te agradeço.
- Pelo o que?
- Por finalmente ter aparecido – falou Marcus, com o sorriso mais lindo do mundo.
Nos dois sorrimos
- Me liga amanhã? – perguntamos ao mesmo tempo – Sim – falamos novamente ao mesmo tempo  - Para de falar tudo o que eu falo – repetimos novamente.
A rua já estava movimentada, nascia um domingo muito lindo, os carros passavam, pessoas saiam com seus cachorros para caminhar e nós não queríamos apanhar de ninguém, por isso apertamos a mão um do outro e nos despedimos com um “Até logo”. Esperei ele virar a esquina e entrei em casa suspirando.
 Que menino lindo, que dia perfeito. Meu coração batia animadamente, eu estava eufórico e com muita energia. Tomei banho e deitei na cama pensando no Marcus e torcendo para que ele fosse mesmo quem eu sempre procurei e que não agisse como os outros agiram;
- Calma, Paulo! Você conheceu ele hoje, não vai achando que ele é o amor da sua vida – falei em voz alta – Ele pode não ser a pessoa que você acha que ele é. Você já não quebrou a cara com tantas pessoas antes? – eu estava muito louco e olha que eu não havia bebido. Eu perguntava e respondia – Quebrei muito a cara sim. Ok, Paulinho, pode deixar que eu vou tentar me acalmar um pouco, mas antes acho que eu devo procurar um médico, pois eu estou falando sozinho.
O telefone vibrou, olhei e vi uma mensagem do Marcus: “Boa noite, lindo, já estou em casa, deitado na minha cama e estou pensando em você”.  Nossa, isso estava me assustando, ele estava igual a mim. A mensagem continuava “Noite incrível, companhia perfeita. Boa noite meu lindo, beijos.”, eu respondi a mensagem: “Eu posso te dizer a mesma coisa. Você é incrível. Boa noite, dorme bem, beijos e não some”.
Fechei os olhos e dormi.

No outro dia, acordei às dez e meia da manhã. Eu estava muito animado. Eu fiz um café e o bebia enquanto eu ouvia mensagem que o Marcus tinha me enviado de bom dia. Ele estava cantando:
- “Eu quero crer, no amor numa boa, que isso valha, pra qualquer pessoa que realizar a força que tem uma paixão. Eu vejo um novo começo de era de gente fina elegante e sincera com habilidade pra dizer mais sim do que não”.
 Adoro as músicas do Lulu Santos. O Marcus ele fez o curso de música porque ficou impressionado como eu gostava de música e eu por eu ter incentivado ele, como algumas palavras podem mudar o dia de alguém e também a vida. Essa é uma lição que eu tenho que levar para sempre. As palavras tem poder.

Enquanto eu estava indo trabalhar, liguei para o Marcus e fomos conversando até lá. Era três e meia e eu ia trabalhar as quatros horas da tarde.
- Oi lindo, eu estou almoçando com a minha mãe, sabe como é, almoço de domingo sempre demora – falou ele.
- Qual é o nome da sua mãe mesmo?
- Margo. Um dia você vai conhecer ela, claro se você quiser né – falou o Marcus.
- Claro que eu quero sim. Eu queria mesmo é estar de estar de folga e ai com você. Mas amanhã eu vou estar de folga.
- Ai que bom! – falou ele – Amanhã é o seu aniversário não é?
- É sim, que legal você ter lembrado – falei.
- Você vai fazer alguma coisa amanhã anoite? – perguntou ele.
- Até agora eu não tive nenhum convite – falei.
- Vamos pensar em fazer alguma coisa juntos – falou ele – O que acha?
- Claro, vamos combinar alguma coisa. Marcus, já cheguei ao trabalho. Depois a gente se fala mais, pode ser?
- Tudo bem, bom trabalho, beijos e se cuida.
- Beijos – falei  desligamos.

Trabalhei animado e toda hora as pessoas vinham falar que os meus drink’s estavam cada vez melhor.
- Paulo, como você esta trabalhando muito bem hoje. Você já é bom, mas hoje você especialmente você esta se superando. Parabéns! – comentou a minha gerente Rosângela.
- Obrigado!
- Quem é o sortudo?
- Quem é quem?
- Ah, para você estar tão animado assim, só pode ter homem no meio – falou a gerente, que é bissexual.
- Eu conheci ele ontem na boate ontem.
- Sério? Que Máximo,  boa sorte, mas vai com calma para não assustar ele.
- Eu sei, essa sua dica vale ouro.

Sai do trabalho a meia noite. No meu celular havia várias mensagens de feliz aniversário. Marcus tinha me enviado uma mensagem que dizia:
“Oi lindo, feliz aniversário, tudo bem? Quando sair do trabalho, se quiser falar comigo, me liga ou me fala que eu te ligo, beijos!”
Eu liguei para ele, ele atendeu cantando:
- “Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!”. Viva o Paulo, viva!
- Obrigado! – falei.
- De nada meu lindo. Eu espero que você tenha um ótimo ano novo, porque esse é o seu ano novo de vida. Como você esta? – perguntou ele.
- Estou muito bem, estou animado.
- Animado, que bom. Porque?
- Por que hoje é o meu aniversário, porque eu tive uma noite incrível, porque eu reencontrei você, porque a gente vai se ver amanhã e porque parece que se eu fechar os olhos eu consigo sentir os seus beijos.
- Estou igual a você, disse ele, exceto a parte do aniversário – falou ele rindo -  Eu estou aqui em casa agora, no meu quarto, deitado. Minha mãe esta na sala assistindo televisão;
- E eu estou voltando para casa, falando no telefone e tomando cuidado para ninguém pegar o meu celular.
- Isso mesmo Paulo, tem que se cuidar.
Meu celular vibrou.
- Lindo, espera só um pouco, chegou uma mensagem para mim, deixa eu só ver. Continua na linha, não desliga.
- Pode deixar.
Eu olhei no celular e era uma mensagem do Alifer me convidando para ir comemorar o meu aniversario em um karaokê, para jantarmos e ele também pediu para eu convidar o Marcus.
- Marcus, os meus amigos estão nos chamando para ir em um Karaokê, para jantar, cantar e comemorar o meu aniversário. Você quer ir? – perguntei.
- Música e você no mesmo lugar? Com certeza que quero ir – falou ele.
Mandei uma mensagem para o Alifer confirmando que iriamos. Depois de conversar mais um pouco com o Marcus, nós desligamos. Eu cheguei em casa, tomei um banho, me arrumei. Passei um perfume e esperei o Marcus na frente do meu prédio. Ele chegou de carro:
- E ai gatinho, já tem companhia para hoje? – perguntou ele me olhando.
Eu estava com uma camiseta vermelha, com uma calça preta e meus cabelos estavam arrepiados.
- Desculpa moço, eu estou esperando um bofe – falei brincando.
- Mas podia vir aqui enquanto ele não chega – falou ele.
- É você tem razão – falei brincando.
Entrei no carro, dei um beijo nele e fomos conversando até o karaokê.
- Não sabia que você tem carro – falei – O carro é lindo.
- Eu não eu uso ele sempre, mais no fim de semana mesmo. A Zafira é o meu “xódo”.
O caro dele é uma Zafira elite, da Chevrolet, ela tem sete lugares.
- Que bom te ver meu lindo, fico muito feliz mesmo – falei.
- E eu então, a gente se ver de novo comprova que não foi um sonho – falou ele rindo.
Marcus estava muito lindo, com uma camisa polo cinza, o que combinava totalmente com ele.
- Você vai cantar junto comigo? – perguntou ele.
- Lógico, quero cantar sem parar.
Chegamos na frente do Karaokê, já estavam todos nos esperando na parte de dentro do local. Estavam quase todos, a Laira e a Jenifer, não tinham estavam.  Quando eles me viram gritaram:
- Olha o aniversariante! – gritaram
- Isso é horário de chegar? – falou o Jerson brincando.
- Pois é amigo, estou com medo de virar abobora, já passou da meia noite.
- Não entendi – falou ele.
- Cinderela, abobora, meia noite. Lembra? – falei.
- Ah sim, lembre sim. Eu já tinha entendido, só queria ver você me explicando – falou o  Jeh – Você está tão bem amigo, estou muito feliz por você  -  e olhando para o Marcus, ele disse – Tudo bem, Marcus?
- Tudo bem sim. Jerson, né? – perguntou ele.
- Isso mesmo. Você tem boa memória.
Alifer estava no palco cantando em inglês. Ninguém estava entendendo nada do que ele estava cantando, o inglês dele era péssimo. Mas a gente aplaudia, amigos são para essas coisas. Rogério gritava:
- Ta lindo, amor – e olhando para a gente, ele dizia – Gente, eu preciso colocar o Alifer em um curso de inglês, ele é péssimo.
Nós sentamos perto do Rogério. Alifer terminou de cantar e foi sentar conosco.
- Ai gente, adoro cantar – falou o Alifer.
- Você adora meu amor? – perguntou o Rogério – Então aprendi – falou ele, todos da mesa riram. E mostrando o painel onde apareciam as notas da música, ele falou – Olha lá, nem apareceu a sua nota, o Karaokê não entendeu nada do que você disse.
- Ai Roger, como você é sem graça – falou Alifer rindo. E nos olhando, ele disse – Que bom que vocês estão aqui. Posso falar? Vocês são ficam lindos juntos.
- Concordo – falamos ao mesmo tempo.
- E ainda respondem juntinhos – falou o Alifer fazendo voz fofa.
Enquanto outras pessoas cantavam nós íamos comendo um delicioso frango a passarinho com mandioca.
- Gente, isso esta demais – falei.
- Sou louco por frango – falou o Marcus.
Uma moça chegou com alguns papeis para nós.
- Aqui vocês anotam o número da música que vocês vão cantar, as músicas estão aqui nesse livro – falou ela nos entregando o livro – Depois que vocês escolherem é só levar o número para nós.
- Perfeito – falei para ela.
Marcus estava tomando suco de Manga e eu estava tomando um suco de laranja. Um rapaz alto levantou para cantar, junto com outro rapaz alto. Ele pegou o microfone e antes de começar a cantar ele disse:
- Boa noite pessoas lindas, essa música tem um significado muito grande pra mim, pois ela é quem me deu o meu apelido. O nome da música é: O amor e o poder, da diva Rosana.
Eu não acreditei quando eu ouvi, será que eram eles mesmos?
- Meu apelido é Madeusa – falou ele.
Sim, era o Matheu, junto com o Henrique.
- Eu conheço esses dois – falei para o Marcus - Eles foram comigo na primeira vez que eu fui à boate, lembra daquela história do beijo? Então. Aquele alto que falou, é a Maudesa. Ele gosta que chame ele assim no feminino mesmo. Ele diz que de dia ele é o Matheus e de noite ele é a Madeusa.  O outro alto é o Henrique. Eles são divertidíssimos.
- Nossa, da para ver que eles são divertidos mesmo, eu nunca vi alguém antes de começar a cantar no Karaokê, falar algo – falou ele rindo –Porque esse apelido tem haver com a música?
- Você vai ver! – falei.
Todo mundo estava prestando atenção neles. Não tinha como não prestar atenção. Madeusa começou a cantar:
- "A música na sombra, o ritmo no ar, um animal que ronda, no véu do luar" – só quem estava cantando era a Madeusa, Henrique estava quieto – “Eu saio dos seus olhos, eu rolo pelo chão, feito um amor que queima” - ele ia fazendo muitos olhares e mexendo muito as mãos -  “Magia negra, sedução".
Olhei para o Marcus e disse:
- Agora você vai entender o motivo do apelido dela – falei para o Marcus.
Ele fez uma pose e cantou junto com o Henrique:
- “Como uma deusa, você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além".
Marcus estava rindo demais. Todos estavam cantando junto com os dois.
- "Aqui nesse lugar, não há rainha ou rei, há uma mulher e um homem trocando sonhos fora da lei." – ele fez um sinal para todos cantarem com eles - “Como uma deusa, você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além" - todos do Karaokê estavam de pé, com as mãos indo de um lado pro outro.
Madeusa desceu do palco com o microfone, ela estava se sentindo a Madonna em um chão da Broadway. Ela estava andando entre as pessoas e cantando, enquanto o Henrique estava no palco fazendo o “back vocal”.
- "Tão perto das lendas, tão longe do fim, afim de dividir, no fundo do prazer , o amor e poder" – quando ele passou por mim, ele esqueceu de cantar e falou – Bicha! Bati aqui! – falou ele me mostrando a mão - Espera ai, deixa só eu divar aqui e depois eu venho te ver.
Ele voltou para o palco. Marcus estava rindo demais.
- O que foi? – perguntei a ele.
- Ai Paulinho, ela é muito engraçada. Ele parou de cantar para te cumprimentar – disse ela.
- Ela sempre é uma querida – falei.
Enquanto tocava a parte instrumental da música, Madeusa pediu:
- Gente, vamos cantar o refrão juntos? Eu quero só ver – todos estavam de pé e cantaram com Madeusa – Vamos lá, “Como uma deusa, você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além, como uma deusa, você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além" - a música foi diminuindo e acabou.
Eles foram muito aplaudidos. Ela desceu, agradeceu e depois foi até a mim. Henrique tinha ido para a mesa beber.
- Paulinho! – gritou ele.
- Madeusa! – gritei também. Ela despertava o meu lado animado.
Ele me deu um abraço.
– Como á senhora está bonita, a idade só te fez bem - E olhando para o Marcus, ela perguntou - E esse quem é?
- Esse é o Marcus, ele esta junto comigo – respondi.
- Bicha, a senhora é lacradora. Arrasou no bofe.
- Obrigado! – falou o Marcus.
- Que lindo, ele ainda fica vermelho – falou ela rindo.
Ele só ria. Apresentei o resto do pessoal na mesa. Ela olhou para o Rogério e disse:
- Eu vi a sua peça de teatro, umas cinco vezes, parabéns é maravilhoso.
- Obrigado - agradeceu o Rogério – Você que é maravilhosa! – ele tinha o poder de conversar com a pessoa como se fosse o melhor amigo dessa pessoa, mesmo sem conhece-la - Madeusa, você sabia que hoje é aniversário do Paulo?
- Sério? Já cantaram parabéns para ele? – perguntou Madeusa.
- Ontem – respondeu o Alifer.
- Então vamos cantar agora – falou ela. Ela estava dominando o lugar.
Nesse momento não tinha ninguém cantando, ela foi até o palco e disse:
- Gente, hoje é aniversário do nosso querido Paulo, mais conhecido como Caipira. Ele merece que todos nós cantemos parabéns para ele. Vamos lá pessoal: “Parabéns para você, nessa data querida, muitas felicidade, muitos anos de vida! Viva o Paulo! Viva o Caipira, Viva! Com quem será? Com quem será? Com quem será que o Paulo vai casar? Vai depender, vai depender, vai depender se o...- ele deu uma pausa e perguntou para mim – Qual o nome dele mesmo?
- Marcus – respondi.
- “Se o Marcus vai querer!” – falou ela.
Veio um monte de gente me dar parabéns. Marcus também estava me dando um super abraço.
- Ai meu lindo – falou ele rindo, enquanto me abraçava – Você é incrível.
A moça do Karaokê chegou com uma caixa cheia de doces.
- Esses doces são dos seus amigos – falou ela, mostrando o pessoal da mesa.
- Você não ia querer um bolo de novo, né? – falou o Rogério – Bolo é caro – falou ele rindo – Meu querido, parabéns, você merece toda a felicidade do mundo.

Madeusa sentou do nosso lado. Eu contei para ela sobre o que o Carlos tinha feito.
- Não acredito que esse viado fez isso, bicha! – falou ele pasmo.
- Fez sim, Madeusa – falei.
- Pelados, peladinhos, um ano atrás – falou ele repetindo o que tinha acontecido – Que ridícula.
Marcus estava segurando a minha mão e comendo doces com a outra.
- Eu odeio ela. Só converso com ela, porque a bicha Carlos é amiga do Henrique – e chegando bem perto de mim, ele disse – Eu sou apaixonado pelo Henrique.
- Não acredito, sério? Vocês já ficaram? – perguntei.
- Ainda não, eu não tenho coragem de me declarar para ele. A gente se conhece desde pequeno, eu sou completamente louco por ele, mas não consigo me declarar,
- Você é tão solto, tão sem vergonha e vai ter vergonha de falar para alguém que você é apaixonado por ela?
 - Eu também tenho as minhas vergonhas, pode parecer que não, mas eu tenho sim. Imagina se o Henrique não gostar e decidi  não conversa comigo? Perco a paixão e o amigo. Não quero isso para mim.
- Não perca tempo, se declara para ele hoje, fala o que você senti – falei.
Marcus olhou para ele e disse:
- Olha Madeusa, a quatro atrás eu vi o Paulo no ponto de ônibus e conversamos, desde aquele dia eu já tinha achado ele interessante. Quando o vi ontem, eu não tive dúvidas, eu me declarei para ele. Imagina se eu tivesse olhado ele e não tivesse falado nada pelo medo de não dar certo?
- Você tem razão Marcus – concordou Madeusa.
- Eu não estaria aqui agora com o meu lindo, no dia do aniversário dele.
Tinha jeito de ser mais fofo? Acho que não!
- Vocês dois tem razão. Eu vou lá agora e hoje mesmo eu vou me declarar para o Henrique – falou a Madeusa – Eu vou lá com os meus outros amigos. Gostei de vocês juntos, vocês são tão lindos, que da vontade de apertar as suas bochechas – falou ele apertando as nossas bochechas – Obrigado pelos conselhos!
- Obrigado você Madeusa, a senhora é uma diva, batedora de cabelo – falei brincando e lembrando de quando ela me ensinou a bater cabelo dentro do carro – Boa sorte com o Henrique.
- Que a rainha de todas as bichas, a Cher, te ouça e me ajude – falou ele, indo para a sua mesa.
Marcus ficou me olhando com um sorrisão.
- O que foi? – perguntei sorrindo.
- O que foi, que eu não consigo ficar sem sorrir e eu não quero nem tentar – falou ele – Eu estou muito animado. Você é um amor, seus amigos são engraçados e o meu coração esta acelerado por você estar segurando a sua mão agora – falou ele me mostrando a minha mão com a dele. Pensei em você o dia todo hoje. Tudo bem, eu sei que a gente se conheceu ontem, mas quero que você saiba que eu estou te levando muito sério e eu estou te curtindo muito  – comentou ele chegando pertinho de mim.
- Eu que só tenho que agradecer, isso é reciproco, eu também estou te levando a sério. Posso falar mais? Você é a materialização dos meus sonhos em pensamento: Alto, loiro, barbudo, cabelo curtos arrepiados, com esse sorriso encantador que me deixa desmontado, com esse olhinho que quando você ri eles ficam curtinhos, fazendo essa covinha no cantinho da boca.
- Você é lindo – falou ele – Muito lindo!
- Eu sei, meus pais são lindos, então é normal – falei brincando e quebrando o clima.
- Ah Paulo, quebrou todo o romantismo – falou ele rindo de mim.
- Você que é lindo – fale – Falando nisso, você vai cantar para a gente, ou não?
- Com você pedindo, com certeza que eu canto. Qual música você quer?
- Me surpreenda! – falei.
Ele pegou a lista, ficou mexendo sem me mostrar que música tinha escolhido e depois falou:
- Achei! – falou ele.
- Qual vai cantar?
- Nada disso, eu vou te surpreender – respondeu ele.
Ele pediu a música. Nós ficamos ali conversando até o momento dele cantar. O Marcus se levantou foi até o palco e ficou esperando a musica começar.
- Ué, porque não esta saindo som? – ele se perguntou no palco.
A dona do karaokê foi lá ver, tentou várias coisas para fazer funcionar, sem sucesso.
- Desculpa, mas nós não vamos conseguir tocar mais nenhuma música, eu não sei o que aconteceu com o aparelho. De repente, ele superaqueceu e pifou, eu de verdade eu não sei o que esta havendo – falou ela pedindo desculpas.
- Se a senhora me permitir, será que eu posso fazer alguma coisa? – pediu ele. Ele chegou no ouvido dela e falou alguma coisa.
Eu estava com medo do que ele ia fazer. Ele foi até o carro e voltou com um violino. Ele chamou o Jerson para ajuda-lo no palco. Jerson estava segurando o microfone perto da sua boca.
- Pessoal, eu queria cantar uma música em homenagem ao nosso querido aniversariante, peço que todos me ajudem. Madeusa, você é a nossa animadora, viu?
- Pode deixar comigo Marcus, vai ser demais – falou ela.
Ele fez uma introdução, que eu não tinha reconhecido e depois começou a cantar.
 - “Mais um ano que se passa, mais um ano sem você, já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade.” -  cantava ele no palco, era muito linda a sua voz, com o violino chegava a perfeição -  “Essa vida é jogo rápido para mim ou pra você. Mais um ano que se passa e eu não sei o que fazer” -  ele fez um sinal para que eu fosse perto dele. Eu me levantei e fui - “Juventude se abraça, se une pra esquecer, um feliz aniversário para mim ou prá você?”.
É um sonho? Só pode ser um sonho, era perfeito. Nada com um dia após o outro. Marcus então chegou no refrão, ele cantava e todos cantavam com ele.
- “Feliz aniversário!”  -  cantava o Marcus.
- “Envelheço na cidade!” -  todos respondiam.
-  “Feliz aniversário!”.
 - “Envelheço na cidade!”.
-  “Feliz aniversário!”.
- “Envelheço na cidade!”
 - “Feliz aniversário!”.
- “Envelheço na cidade!” -  cantou ele junto com todos.
E com isso ele parou de tocar. Todos aplaudiam. Eu estava não conseguia nem me mexer, estava muito emocionado, eu não estava nem sentindo a minha perna. Nós fomos sentar.
- Marcus, você tem que ter uma banda – falei a ele.
- Eu tenho, eu não te falei?
- Não, sério? Que máximo. Qual o nome da banda?
- Plenos poderes.
- Igual do desenho? – perguntei.
- Que desenho?
- Do He-man – respondi.
Ele ria muito comigo.
- Não meu lindo, ele falava Pelos poderes, nós somos os plenos poderes – ele estava chorando de tanto rir.
- Deve ser o sono – falei rindo também.

Marcus nos levou embora no seu carro. Ele já tinha deixado todo mundo em suas casas, só estávamos nós dois.
- Chegamos! – falou ele parando o carro.
- Lindo, daqui a pouco vai amanhecer, você quer ver o por do sol comigo?
- Claro, duas coisas que eu sou louco, o por do sol e você – falou ele me dando um beijo.
Ele deixou a Zafira na garagem e subiu para o apartamento.







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