Capítulo 3° - Ano novo
Onde eu estou? – perguntei acordando.
Eu estava na casa da Laira e do Jerson. Sabe quando você acorda e não sabe nem aonde esta? Então, era essa a sensação que eu estava tendo naquele momento. Dormi em um colchão no chão. Meu celular começou a tocar, atendi e era a minha mãe.
- Alô? Isso é hora de ligar para mim, dona Rosa? – falei com uma voz meio rouca, de quem bebeu a noite inteira. O que nesse caso era verdade.
- Feliz natal, filho – falou ela muito animada.
- Oi meu anjo, feliz natal para você também – falei, esfregando os olhos.
- Filho você passou o natal onde?
- Na pensão, mãe. Passei junto com uma senhora.
- Você esta com uma voz estranha – falou ela desconfiada - Você andou bebendo?
- - Não mãe, devo ter tomado friagem a noite.
- Talvez seja mesmo – completou ela – É uma pena você não conseguir passar o esse natal com a gente, é o primeiro natal que você passa longe da gente, filho.
- Eu sei mãe, também estou sentindo muito falta de vocês, mas não fui porque quando eu fui ver a passagem de todos os ônibus já estavam compradas. A procura é muito grande nessa época do ano.
- Você também vai ver só em ultimo momento, puxou pro seu pai, esse despreocupado – disse ela rindo - Tenha um ótimo dia de natal, se cuida , fica com Deus e a mamãe te ama.
- Também amo vocês, mamãe. Vocês são as melhores parte de mim.
- Você que é a melhor parte nossa – falou ela – Você saiu da gente.
Eu dei risada, ela era muito incrível. Ela desligou o telefone. Lembrei da noite passada e da raiva do Tiago, ele me usou, me enganou e enganou os outros também. Eu nunca tinha gostado de ninguém, mas o primeiro tinha que ser um sínico como o Tiago? Se bem que ele era um sínico lindo e conquistador. E isso, eu não posso negar.
Comecei a reparar na casa da Laira e do Jerson. Havia uma mesa de madeira, redonda e pequena, no centro da sala e vários pufes em volta. Um grande sofá e uma televisão de 42 polegadas. Havia também uma grande arvore de natal, com fotos pequenas dos dois. E na estrela que estava no topo, uma foto dele dando um beijo no rosto dela. Eles realmente são os melhores amigos. Algo difícil de encontrar hoje em dia.
A Laira saiu da cozinha e me olhando disso:
- Feliz natal, Paulo! – falou segurando uma xicara de cappuccino.
- Feliz Natal, Laira! Ué, cadê o Champanhe? – falei do mesmo jeito que eles me disseram na noite passada.
- Bem que eu queria, mas a ressaca não deixa.
- Estava olhando a sua casa, muito legal, bem diferente.
- Gostou? – falou ela sentando em um pufe vermelho – Tinha quer ser diferente mesmo, não gosto de nada comum.
- Cadê o Jerson?
- Esta dormindo no quarto dele.
- Deve estar cansado, de tanto ter chutado o Tiago – falei rindo - Falando nisso eu vibrei muito quando ele fez isso.
- Pois é, eu também vibrei. Ele nunca gostou do Tiago e sempre fez questão de mostrar isso – falou ela rindo.
- E o Rodolfo, cadê?
- Ele dormiu aqui, mas foi embora bem cedinho. Disse que ia passar o natal com os pais dele. Você quer uma xicara de cappuccino?
- Quero sim – falei levantando do colchão.
Fomos para a cozinha, eu estava encostado no balcão, enquanto ela fazia um cappuccino gelado para mim.
- Mas então Paulo, como você está, depois de descobrir sobre o Tiago?
- Estou bem, melhor do que eu imaginei que iria ficar. Só fico com raiva de ele ter sido a primeira pessoa que eu beijei – falei rindo – Ele me enganou direitinho. Pelo menos fazia pouco tempo que a gente se conhecia. Pior deve ter sido para o Rodolfo, os dois já estavam um ano juntos.
- Eu já namorei por algum tempo – falou ela colocando chantilly no meu copo – Gostava muito dela, mas ela também me magoou, eu a amava demais. Sabe, Paulo – falou ela dando uma pausa e me entregando o cappuccino – Quando as pessoas sabem que você gosta delas e supostamente você gosta mais, elas tendem a se acharem e te maltratarem, por isso hoje em dia eu não deixo a pessoa saber que eu gosto. Posso estar morrendo de amores, mas ela não vai saber.
- Começo acreditar que isso é verdade. Mas no caso do Tiago, ele era uma pessoa ruim mesmo e não adiantaria eu fingir que não gostava dele.
- Vocês chegaram a fazer... – ela não completou a frase.
- Fazer? – perguntei tentando entender – Ah, se a gente fez sexo? Não, não fizemos não. Nem deu tempo também. Credo, ele deve ficar com tanta gente, que deve ter um monte de doenças sexualmente transmissíveis.
- Verdade, deve ter mesmo.
O Jerson acordou ás 11h00 e nos encontrou na cozinha, nos cumprimentou com um beijo.
- Olha o homem dos três chutes – falei.
- Você viu, viado? Arrasei né?
- Arrasou sim – falamos eu e a Laira.
-
- Quer um cappuccino, lindo? – perguntou a Laira.
Ele ficou olhando para ela com uma cara de lógico. Laira começou a preparar um cappuccino para ele.
- Paulo, você nunca pode sair das nossas vidas, viu? – falou Jerson.
- Porque não? – perguntei.
- Porque você chegou dando certo para nós. Todo mundo odiava o Tiago, você chegou e foi descoberto as coisas que ele tinha armado pra cima de você e do Rodolfo – ele ria. Falando um pouco mais baixo ele disse – Agora só falta você fazer um bofe aparecer em minha vida.
- Eu trago sorte para os outros e não para mim – falei brincando – Eu fiquei sem nenhum bofe.
- Lembra que falamos que era o livramento? – perguntou Laira – Você se livrou de uma péssima, aquela Tiago só ia te fazer mal.
- Tem toda razão.
- Vamos combinar o seguinte? – perguntou Jerson - Você arranja uma namorada para a Laira e um bofe para mim e a gente tenta te apresentar alguém também, pode ser?
- Vou arranjar as melhores pessoas, super combinado – falei apertado a mão do Jerson.
Conversamos sobre as nossas infâncias, sobre como era vir para uma cidade grande, depois de viver em uma cidade pequena e as divertidas diferenças entre ambas.
- Já chegou luz lá? – perguntou Laira.
- Tem sim – falei.
- E carro já chegou? – perguntou Jerson, rindo muito.
- Já chegou sim, mas confesso tem algumas carroças ainda na cidade.
- Carroça? Ah, não acredito, que maneiro – Jerson se divertia falando isso.
Nós três também fizemos um almoço, brincamos de dominó, de esconde-esconde e fizemos guerra de travesseiros. Era o nosso natal, não podíamos ficar tristes. No fim da noite, sentei com o Jerson e começamos a conversar.
- Às vezes eu fico pensando o que eu estou fazendo aqui em Londrina – falei. Ele me olhava atentamente. Eu sentia que eu precisava contar a minha vida para ele – Sabe Jerson...
- Pode me chamar de Jeh, é abreviação do meu nome, você é meu amigo o bastante para me chamar pelo apelido - pediu dele.
- Então Jeh, quando eu estou na pensão eu fico pensando: Será que esta valendo a pena, tudo isso?
- Como você se senti em relação a isso? – perguntou o rapaz.
- Eu sinto que eu ainda vou aprender muito com a vida e que vou apanhar muito dela também.
- Sabe Paulo, quando você veio para cá, você era uma pessoa e hoje em dia você não é mais da forma como veio. Você esta aprendendo todos os dias. Até esse acontecimento do Tiago, já lhe trouxe mais conhecimento. O Fato de confiar, desconfiando e outros mais. Cabe você entender.
- Aonde eu errei, Jeh?
- Primeiro, ele não era o cara certo para você. Ele já tinha outros “namorados” – falou ele fazendo aspas com as duas mãos – Mas tem gente que procura pedras pela areia da praia, a vida inteira e pelo caminho encontra alguns diamantes, como você – falou ele me olhando sério - Mas eles jogam fora, porque não percebem o seu valor, só depois eles percebem o que fizeram.
- Que lindo! – falei dando um abraço nele – Cara, você é incrível. Parece que eu te conheço á tanto tempo, quase como se fosse da minha família. Te contei coisas que nunca contei para ninguém. Parece que você tem esse pode de me fazer desabafar.
- “Amigos são a família que podemos escolher”, frase do Shakespeare, do texto: O menestrel.
- Sinto que nós seremos grandes amigos – falei.
- Eu não acho – falou ele muito sério.
- Não?
- Não, grandes amigos não, mas sim os melhores amigos – falou ele rindo.
Voltei para a pensão a noite e deitei na minha cama e fiquei pensando em como a vida planeja varias surpresas. Não imaginava que o Tiago tinha um namorado, sofri por ele, mas fui presenteado por dois grandes novos amigos: a Laira e o Jerson. Eles salvaram o meu natal.
Como prometido ao meu fiscal, quarta feira eu estava novamente no supermercado, trabalhando. Novamente fiquei empacotando os caixas de todos, exceto o do Carlos, que fingia que não em via.
Era 16h00 horário do meu intervalo. Havia almocei e deixei o meu celular ao lado da minha bolsa no refeitório, enquanto eu fui escovar os dentes, no banheiro. Quando eu voltei, encontro o Carlos mexendo no meu celular.
- Carlos, o que você está fazendo? – gritei.
Ele deixou o celular cair em cima da mesa, caindo a bateria –
- É que eu achei que era o meu celular – falou ele não conseguindo mentir.
- O que o seu celular estaria fazendo ao lado da minha bolsa? Passeando?
- Então, foi isso que eu achei estranho, por isso vim conferir.
- Você esta aprontando alguma coisa, tenho certeza – falei pegando o meu celular.
- Não, não tem nada não – ele sorriu – Juro!
- Você jurar e um cachorro cagar, para mim é a mesma coisa – falei.
- Para com isso caipira – falou ele rindo e tentando desfarçar o seu nervosismo – A gente se fala por ai – falou ele saindo do refeitório.
Eu não tinha entendido nada. Revirei o meu celular para ver se tinha achado alguma coisa diferente, mas não achei. Os dias passaram e o meu serviço como empacotador, havia encerrado. Meu fiscal me disse no último dia:
- Olha Paulo, gostamos muito de trabalhar com você, você é excelente. Nós vamos analisar como foi o seu desempenho e ligaremos para você, tanto para pagar o dinheiro desses dias trabalhados, quanto para dizer se queremos efetiva-lo, ou não. Você tem grande chance de continuar com a gente. Você quer continuar trabalhando conosco?
- Com certeza, gosto muito daqui – falei. Até porque eu não sabia aonde achar outro lugar para trabalhar.
Na véspera de ano novo fui para a casa dos meus pais. Eles pagaram a passagem da ida. Sai de Londrina as 14 horas e eu chegaria as 17 horas na cidade. Quando cheguei meu pai estava me esperando na rodoviária. Ele pegou a bolsa e colocou dentro do carro.
- Você faz tanto falta meu filho – falou ele enquanto dirigia - Ficou muito tempo sem vir aqui ver sua família.
- Eu também sinto falta daqui, não é fácil ficar lá sem vocês. Eu tinha que trabalhar todos os dias, ficava difícil vir para cá, mas a vontade era grande.
- Então volta a morar com agente – falou ele, enquanto dava a volta pela praça, onde fica a igreja – Todos os dias a sua mãe me pedi para trazer você de volta, ela acha que é culpa minha você ter ido para Londrina. Ela me acusa de ter brigado muito com você.
- Não é nada disso pai, não é mesmo. Eu queria crescer como pessoa – falei.
- E esta dando certo?
- Sim, está – falei, no momento em que chegamos ao portão de casa.
A minha casa, é um sobrado, no térreo ficam a sala, cozinha, banheiro e na parte superior tem os quartos. O portão abriu e nós entramos. Os cachorros - eles são dois Yorkshires. - vieram latindo e quando me viram começaram a fazer um “latidinho” que lembrava choro.
- Eles estavam com saudades - falou meu pai - Você demora muito para vir – falou ele repetindo.
- Oi bebê, o pai ta em casa – falei se referindo a mim.
Peguei o maior no meu colo. Ele se mexia muito e me lábia. Sai da garagem e entrei na cozinha. Minha mãe estava lá. Ela veio correndo me abraçar.
- Oh amor da minha vida! – falou ela me abraçando – Como você esta magro. Também, não sabe fazer nada para comer.
- Bom te ver mãe – falei dando um super beijo nela.
- Ai que saudades! Eu estou fazendo um bolo de chocolate pra você. Você quer lamber a rapinha da cobertura que eu fiz?
- Quero sim mãe! – falei pegando a colher.
Ela novamente me abraçou.
- Meu trabalhador, eu estou muito orgulhosa de você. Muito mesmo.
Isso já respondia a minha pergunta: Será que esta valendo a pena tudo isso? Sim, minha mãe estava mais orgulhosa de mim e isso para mim é tudo.
Terminei de comer a tampinha do bolo, com cobertura de chocolate.
- Vai guardas a sua bolsa no quarto, filho – falou ela.
- Já vou.
- Não deixa a sua bolsa jogada por ai, seu pai fica bravo.
Peguei a minha mochila, subi as escadas e levei para o meu quarto. O meu quarto, tinha uma cortina azul, uma cama de casal, com a cabeceira virada para a direita e uma cama de solteiro com a cabeceira encostada na cama de casal virada para a porta e ficando de frente com o computador.
- Também estava esperando o papai, amor? – falei sentado na cadeira do meu computador. Amava aquele computador.
Deixei a minha mochila na cama, liguei o meu computador e de felicidade comecei a girar na cadeira. Enquanto girava, vi meu pai entrando a porta do meu quarto com o telefone no ouvido. Ele estava muito sério.
- O que foi que aconteceu pai? – perguntei.
Ele não me respondeu. Parei de girar e fiquei com a cadeira virada para ele. Dava para ouvir que tinha alguém do outro lado da linha, cada vez que essa pessoa falava, o meu pai ia ficando mais pálido e sério. Achei que ele fosse desmaiar. Então ele se sentou na cama de solteiro e disse:
- Ok, eu vou conversar com ele – ele desligou o telefone, respirou muito fundo e continuou – Filho, um rapaz me ligou e me falou algumas coisas absurdas.
- Quem é essa pessoa? O que ele te disse?
- Eu não me lembro do nome direito – ele começou a olhar para cima e depois me olhando, disse – Acho que era Claudio, Carlos, sei lá, alguma coisa assim.
Meus batimentos cardíacos aceleraram, eu não sabia o que o Carlos havia falado, mas sentia que aquele momento seria difícil.
- Então... – ele tentou dizer, mas engoliu a frase e ficou me encarando sério, depois pensando e enfim tomou coragem e disse – Filho, ele me disse, que você é gay.
Me senti como se estivesse congelando.
- Isso é mentira, não é? – falou ele sentado na minha cama, com as mãos e as pernas juntas, quase como se estivesse implorando para não ter um filho “viado”.
Eu não podia continuar mentindo, tinha que falar a verdade, mentir não ia levar a nada. Eu refleti mais uma vez e respondi:
- Sim pai, eu sou – falei olhando nos olhos dele.
O corpo dele se estremeceu.
- Eu sabia que era só você sair de perto da gente e ia começar a ser viado.
Ele deitou na cama e fechou os olhos.
- Mas me diz que você pelo menos pega mulher também – implorou ele.
- Não pai, eu não fico com mulher.
- Mas não tem jeito de arrumar isso? – perguntou ele com uma voz fraca – Eu não quero que isso aconteça contigo. Vou te levar em um psicólogo ou em um psiquiatra, sei lá. Ele te da uns remédios para você parar com isso.
- Ta querendo me dopar pai? Isso não mudar nada – falei tentando ficar calmo.
- Vai que concerta, você? – falou ele.
- Não é uma doença para tomar remédios, isso não muda pai. E acha que eu gostaria de ser assim? Você lembra aquela época em que eu ficava trancando dentro do meu quarto, só ouvindo músicas? – pergunte – Nem amigos eu tinha, queria só ficar em casa.
Ele resmungou, o que eu entendi como que um sim. Então eu continuei:
- Foi à época em que eu estava começando a me descobrir – falei começando a chorar – Aquela depressão que nós achávamos quer era adolescência, não era. Era eu lutando para não ser assim – eu estava desabando de chorar e meu pai continuava quieto - Só queria ser o melhor filho para você, de verdade eu não queria nascer assim.
- Não da para fingir que gosta de mulher? – pediu ele - Pelo menos em quantos seus avôs estão vivos? – ele ainda estava com os olhos fechados - Vai que você se acostuma com alguma mulher, ou de repente gosta dela.
- E ficar mentindo para mim e ser um cara infeliz? Você quer que eu viva assim pelo restou da minha vida? Eu não quero.
Ele começou a chorar também e disse:
- Ele me disse que é seu namorado.
- Não, ele não é meu namorado – eu estava pensando seriamente em matar o Carlos – Ele é um cara retardado, imbecil e filha de uma puta, que trabalha também no mercado e que gosta de mim. Eu o odeio.
- E desde que quando você decidiu que queria ser mulher?
- E quem disse que eu quero ser mulher – falei enxugando as minhas lágrimas – Eu gosto de ser homem e sou homem como qualquer outro, só que eu gosto de pessoas do mesmo sexo que eu.
- Para com isso Paulo – falou ele – Não seja assim. O que as pessoas vão falar quando me virem? “Olha lá, o pai da bichinha.” Irão falar igual eu vejo os caras falando dos filhos dos outros. Eles vão falar de você! Você quer isso pro seu pai? Vou ficar mau falado na cidade.
- Pai, eu não vou ficar falando para as pessoas, não vou sair beijando os homens e nem vou ficar de mãos dadas com ninguém aqui cidade.
- Aqui na cidade – falou ele me imitando – Não quero ficar pensando que você vai ficar com homens, você não é mulher, isso não esta certo, Paulo.
Ele limpava as lágrimas que iam caindo.
- Eu não sei o que fazer, estou confuso. Me ajuda, por favor! Eu não nasci para ser pai de um gay.
- Pensa que eu sou um bom filho, sou trabalhador, que eu não sou um cara promiscuo.
- O que é promiscuo?
- Que fico com qualquer pessoa. Pensa que eu nunca fiz nada de errado, que eu não bebo, não fumo, não uso drogas, que eu nunca fui preso, que eu não roubo, não mato e que eu sou estou sempre pronto para ajuda-los quando vocês precisarem. Pensa nisso, pai.
- Fácil dizer isso – resmungou ele - Filho e Deus? Você acha que ele gosta disso?
- Eu acho que Deus é tão maravilhoso e misericordioso, que ele vai me julgar por minhas ações e não pela minha sexualidade.
- Se isso fosse certo, ele teria criado dois homens e não um homem e uma mulher.
- Pai, mas você acha que eu decidi ser gay? Não, eu não decidi. Para mim seria muito mais fácil se eu gosta-se de mulher, mas eu não gosto.
- Você já provou pra saber que não gosta? - perguntou ele tentando ser engraçado.
- Não – respondi.
- E como sabe que não gosta?
- E o senhor, já ficou com homem?
- Também não – falou ele fazendo o sinal da cruz.
- E como sabe que não gosta?
Ele ficou me olhando sério. Não estava conseguindo ver como essa história acabar. Eu e meu pai somos muito iguais, dois cabeça duras.
– Eu não tenho tesão por mulher – falei com certa dificuldade - Queria muito ser hetéro, mas Deus me fez assim
- Não fala assim de Deus, ele sempre sabe o que faz. Deus é perfeito e tudo o que ele faz é perfeito.
- Eu sei disso, por isso eu me aceitei, foi ele quem fez.
Ele ficou quieto.
- O Senhor gostaria de ter tido o câncer que o senhor teve? – perguntei. No ano de 2006 o meu pai teve um câncer na laringe, ele operou, fez radioterapia e se curou.
- Claro que eu não queria – falou ele sentando na cama e me olhando.
- Se as coisas são da forma que o senhor pensa em relação a religião e como as coisas acontecem, então Deus quis que o senhor tivesse e assim foi. Hoje em dia o senhor está bem – falei tentando sorrir.
Ele ficou quieto por um minuto, depois se levantou da cama ainda muito pálido e me disse:
- Saiba, que saber disso, foi pior que do câncer para mim.
- Não fala assim pai – falei com os olhos se enchendo de lágrimas.
- Desculpa, mas eu não tenho um filho, eu só tenho uma filha, que é a Flávia – falou ele.
- Pai, volta aqui, vamos conversar – implorei para ele.
Com a cabeça baixa, ele fechou a porta devagar e me deixou lá no quarto com as lágrimas escorrendo. Minha irmã abriu a porta do meu quarto, me viu e disse:
- Segunda vez que te vejo no quanto do quarto chorando – e sentando do meu lado no chão, ela continuou – O pai descobriu?
Eu estava com os joelhos juntos, encostados no meu peito, com os braços em deles.
- Sim – falei encostado a minha cabeça no ombro dela e chorando – Ele disse que isso para ele é pior que do que o câncer.
- Ai Paulo, o pai tem quase sessenta anos, ele foi criado em uma época aonde isso não era tão comum. Claro que existia, mas não era tão exposto como hoje em dia. Tenta compreender ele, ele te ama e vai entender isso. O amor é maior do que tudo.
- O pai também não me entendeu – falei.
- Foi o primeiro momento, deixa ele acalmar, pensar um pouco, você sabe como ele é. Ele vai pensar e depois ele vem falar com você. Mas deixe as coisas acalmarem agora.
A Flávia para mim era uma espécie de um anjo, um rosto angelical, fino. Um sorriso branco, um rosto claro, olhos castanhos claros, um cabelo lisos e castanhos, mas tinham um movimento. Eu sempre contei tudo á ela.
- Você tinha que ver, ele falou que eu não sou mais filho dele. Que agora só tem você.
- Ele disse isso? Fica tranquilo meu amor – disse ela me deitando no colo – Isso vai passar. Se ele falar que não tem mais filho, você faz DNA e esfrega o exame na cara dele – falou ela me fazendo rir.
- Como você sabia que eu estaria precisando de você?
- Eu vi o pai saindo do seu quarto chorando, então logo eu presumi que havia acontecido algo de errado, o pai nunca chora por nada.
- Eu quero ver quando a mãe souber – falei.
Minha mãe é o tipo de pessoa que todo mundo ama a primeira vista. Com mais ou menos 1, 60 cm, com os cabelos loiros, lisos até os ombros, usando um óculos pequeno e simples, mas que dava um ar de sofisticada. O que era verdade. Nesse instante, a porta do meu quarto se abriu e a minha mãe aparece.
- Eu já sei meu filho – falou ela muito calma.
Ela foi se aproximando de mim e sentou no chão, na minha frente. Eu me levantei do colo da Flávia.
- Sério, mãe? – perguntei – Quem te falou?
- Ninguém me falou. Toda mãe sabe. A gente enxerga muito mais do que vocês imaginam. Mas eu não acho que isso faça alguma grande diferença. Você ainda é o meu caçulinha – falou ela sorrindo.
- Você aceita isso tranquilamente? – perguntei
- Quando eu comecei a perceber isso, eu fiquei pensando muito. Eu pensava mais nos sonhos que eu sempre tive para você: Você se formar, casar, me dar netos lindos. Eu fico vendo as minhas amigas aqui da cidade, levando os seus netos para passear na praça, fico com uma inveja – falou ela.
- Nossa seja por isso mãe, eu estou grávida – falou a Flávia muito séria.
- Tá de brincadeira? Sério menina? – perguntou ela muito séria.
- Eu vou ser tio? – perguntei me animando.
- Sim, estou de brincadeira – falou a Flavinha rindo – Quero me formar primeiro, continuar namorar o Orlando, noivar, depois sim casar e ter filhos. Mas valeu ter falado isso só pela cara que vocês fizeram e por ter feito você sorrir, maninho.
Minha mãe suspirou profundamente e depois disse:
- Pensando bem, eu nunca quero ser avô, tão cedo, sou praticamente uma mocinha.
Elas estavam falando de outro assunto, nem estava ligando muito para a minha “grande revelação”. Talvez eu estivesse lendo isso muito a sério. Quase como se lesse o meu pensamento, minha mãe disse:
- Paulo, você conhece o seu pai, ele sempre fica assim quando acontece algo, mas ele vai pensar muito e tudo vai voltar como era antigamente. Fica tranquilo meu amor.
- Sabe mãe, foi por isso que eu fui embora para Londrina. Eu queria me libertar de me esconder, estava cansado de ficar escondendo quem eu sou.
- E você já se encontrou?
- Ainda estou procurando – falei querendo rir.
- Você é o meu filho lindo.
- Quem disse que eu não posso me formar? Casar com um rapaz muito legal? E te dar netos? Claro que ele vai ser adotado. Mas daríamos muito amor para eles.
- É muito estranho pensar nisso, mas quem sabe. Mas tem que ser um marido que goste muito de você e que cuide de ti – falou minha mamãe.
De certo modo eu estava gostando disso, conversar com a minha mãe sobre a minha sexualidade era algo muito surreal, eu não imaginava que chegaríamos a esse assunto. E agora ela está desejando que o meu futuro namorado, goste e cuide de mim.
- E se não gostar de você, ai ele vai ver o que é uma sogra ruim – falou ela dando um soco em sua mão.
- E uma cunhada ruim também – completou a Flávia, fazendo um ar de brava.
- Coitado gente, se depender de vocês, eu não vou namorar e não vou casar nunca – falei rindo muito alto.
- Vai sim Paulo, só basta ele ser um cara legal – disse a Flávia – Porque se ele não for, eu vou derrubar ele no chão e fazer muita cocegas, até ele pedir água – falou ela me jogando no chão e me fazendo muitas cócegas.
- Água, água, água – eu ria muito – Mãe? Faça ela parar – eu estava soluçando de rir – Água, água, água – enfim ela parou – Você tem que fazer isso nele e não em mim – eu estava soando.
- Mas como ainda não tem ele, vai em você mesmo – falou ela. Minha mãe assistia tudo rindo.
Sentimos um cheiro de queimado.
- O bolo! – falou minha mãe correndo e parando na porta, ela disse – Te amo meu filho. Você é perfeito, assim como você é – falou saindo.
- Sabe que teve uma época em que eu pensava que você era assexuado? – perguntou Flávia.
- Eu era o que?
- Assexuado. Quer dizer, eu pensava que você não gostava de nem de mulher e nem de homem – respondeu ela como se fosse obrigação minha saber disso.
- Achava isso, com base em que?
- Normalmente, nessa época os meninos não param de falar de meninas e você não falava. Mas também escondia tão bem essa sua opção, que não falava em homens.
- Nossa!
- Confesso que quando você me contou, passei a te respeitar mais – ela sentou em na cama de casal, que ficava ao lado da onde eu estava. Olhando-me nos olhos ela disse - Eu te amo! E nada fará isso mudar.
Eu levantei, dei um abraçado demorado nela e sentando na minha cama de solteiro, que ficava do lado onde ela estava, eu falei:
- Obrigado minha linda, vocês são a melhor parte de mim. Amo vocês.
- Nós somos a melhor parte e a pior parte é você, não é?
- Comparando com a parte que cabe a vocês? Sim, sou a pior a parte.
Minha mãe chegou no quarto nos chamando para tomar café da tarde. Meu pai não estava, ele já tinha ido para a loja trabalhar. Nos descemos as escadas e nos deparamos com uma grande mesa, cheia de coisas gostosas, vários tipos de pães, vários sucos, doces, manteigas, empadões, bolachas feito por ela. Uma mesa esplêndida.
- Uau! – falamos Flávia e eu ao mesmo tempo.
- Não é todos os dias que é véspera de ano novo, não é? – disse minha mãe – e nem todos os dias que o meu lindão esta aqui em casa – falou ela tirando um grande bolo de chocolate do forno.
- Nossa mãe, a senhora é a pessoa mais incrível que eu conheço – falei.
- Você rem razão – falou ela.
Nesse instante, começamos a ouvir umas buzinas na frente de casa, eram os nossos parentes que estavam chegando.
- Mãe, quem chego? – perguntou a Flávia. E olhando a janela ela disse – Não acredito, é a tia Ady, com a Evelise, o Rodrigo e o tio Basílio.
Minha mãe abriu o portão e eles foram entrando. Minha tia, tinha mais ou menos a mesma altura da minha mãe, com o cabelo pretos até os ombros e lisos. A Evelise, era mais magra, mais ou menos da minha altura, com o rosto bonito, com os cabelos grandes, lisos e pretos, era a pessoa mais animada do mundo.
- Evelise – falei vendo ela e acenando pela janela.
- Paulinho, seu lindo! – falou ela me vendo.
O Rodrigo, tinha mais ou menos 1,80 cm, quase careca, branco e já estava com uns kilos a cima do seu peso. O seu pai era como ele, só que mais velho e mais moreno.
- Fala pia – falou o Rodrigo me cumprimentando na mesa. Eu ainda estava sentado – E como é que anda a vida lá em Londrina?
- Fala Curitibano! Está indo. Londrina é uma cidade encantadora, você tem que conhecer – e pegando a caixa de leite, eu perguntei – E ai, quer um leite? Tá quente! – tentei imitar o sotaque deles, dizendo: quente e não “quenti” como costumamos dizer.
Ele riu da minha piada sem graça. Levantei-me e cumprimentei a todos. Eles se juntaram conosco a mesa e depois eu e Evelise fomos levar as malas no quarto em que eles ficariam.
- Mas me fala Paulo, o que esta havendo com você?
- O que esta havendo o que?
- Você pode fingir, mas não me engana, eu sei que aconteceu algo, você nunca conseguiu mentir para mim – falou ela - Isso desde pequeno – comentei.
A Evelise tinha a idade minha irmã, pelos meus cálculos ela tinha uns 33 anos, antes de morar em Curitiba eles moravam na mesma cidade que nós e ela me viu crescendo. Era um anjo, se todas as pessoas fossem iguais a ela, o mundo seria muito melhor.
- Eu não sei se vai mudar algo em relação a nossa amizade – falei para ele – Eu sou gay e o meu pai descobriu isso.
- Nossa não acredito – falou ela – Mas vocês estão conversando?
- Ele não esta falando comigo – falei - Para você esta tudo bem saber disso?
- Paulinho, olha mim – falou ela – Eu não tenho a mente fechada para as essas coisas, eu gosto de você do jeito que é você e isso nunca vai mudar. Eu te conheci assim, para mim não muda nada - De verdade, eu já imaginava que você é gay.
- Como você imaginava?
- Intuição feminina, nunca falha - falou ela rindo.
Eu a abracei e disse:
- Olha prima, por isso que eu te amo! E digo sem que pense nenhuma besteira, amo como irmão, como primo e como seu primo mais bonito e mais incrível. Você sabe disso.
- Arrasou viado – falou ela rindo e batendo as mãos na minha – Eu sempre quis ter um primo viado. Você sobre decoração?
- Não.
- De cabelos?
- Não.
- Gosta de Britney Spears? –
- Não.
- Que tipo de viado é você, então? To brincando, eu sei que tudo isso é estereotipo e não deve ser levado a sério.
Eu abracei ela, eu estava em um momento muito sensível, estava precisando de abraços, de palavras bonitas, eu precisava saber que o mundo não ia acabar e a Evelise estava conseguindo passar tudo isso para mim.
- Me respondi uma coisa? – perguntou ela - Porque todo gay é bonito?
- Genética gay – falei brincando – A gente quando se descobri começa a passar uns cremes que mudam o DNA – eu estava brincando com uma voz bem afeminada e deixava as minhas mãos cheias de trejeitos – Você deveria tentar usar também.
- Mudar DNA – falou ela rindo – Só você mesmo Paulinho.
Minha mãe usou a garagem para fazer a festa de Réveillon. Sem os carros, havia um grande espaço, que ela colocou muitas bexigas brancas, muitas mesas, coberta com panos brancos e com aperitivos. No centro uma mesa gigantesca em “L” onde estava servida o jantar. Do lado direito, havia uma mesa com uma televisão 42 polegadas passando as fotos da nossa família e das festas passadas e estava ligada a um DVD que tocava: Roupa nova.
Meu pai não havia mais conversado comigo, ele estava sentado na mesa dos meus tios. O Rodrigo estava falando comigo, mas eu não estava escutando:
- Esse ano eu quero ser caminhoneiro. Paulo?
- Oi? – falei ainda olhando o meu pai, que estava na mesa de frente a minha.
- Você ouviu o que eu disse?
- Sim, você disse que esse ano você quer ser cavalheiro – falei sem olhar para ele.
Ele riu.
- Não, não foi isso que eu disse, eu disse que esse ano eu quero ser caminhoneiro – e vendo que eu e não estava ouvindo, ele gritou – Paulo, da valor!
- Ah sim! – falei pulando da minha cadeira – Mas como vai ser esse ano, se ele já esta acabando? - Olhei no relógio: 23h50 – Você tem 10 minutos para realizar o seu sonho – falei rindo.
- Valeu, Paulo! - agradeceu ele rindo.
Falando sério, eu disse – Os seus sonhos todos vão se realizar, pode ter certeza primo. Você merece, é uma grande pessoa.
- Vou encontrar uma mulher que goste de mim e que me queira junto dela? – perguntou ele rindo.
- Vai pode escolher – falei.
- Ai sim em primão. Falando nisso, em Londrina tem muita mulher bonita? - perguntou ele chegando mais perto de mim.
- Se tem mulher bonita? Londrina só tem mulher bonita.
Isso é totalmente verdade, pensa em um lugar para ter gente bonita.
- Fala para elas que o Rodrigão esta disponível - pediu ele.
- Pode deixar, vou dizer sim – falei rindo.
Eu voltei a olhar para o meu pai. Rodrigo percebendo isso me disse:
- Fiquei sabendo – falou ele olhando meu pai.
- Foi a Evelise que contou?
- Não, foi a sua cara, você é um livro aberto, ta na sua cara que tem algo que não esta dando certo - ele parou e depois isso – Eu sei que você fala muito com a Evelise, então eu pressionei ela e ela me contou. Tem problemas ela ter contado?
- Claro que não, prefiro que vocês saibam mesmo, a não ser que você vá tirar uma lanterna do bolso e me quebrar na cabeça – falei rindo.
- E gastar a lanterna? Nunca! Primo – começou ele - Vai lá falar com o seu pai, ele também não para de olhar para cá.
- Tem certeza?
- Claro, boa sorte primo.
- Valeu! – falei me levantando.
Fui até a mesa dele onde ele estava sozinho e disse:
- Pai, eu preciso conversar com o senhor.
- Claro, Paulo!
Ele se levantou e nós fomos para fora da casa, na rua. Lá estavam os carros das pessoas que estavam em casa.
Ele ficou me olhando quieto e quando eu fui dizer algo para, ele falou antes:
– Antes de você falar qualquer coisa, eu quero primeiro, te pedir desculpas, por te dizer que você não é meu filho. É meu filho sim. Depois dizer que você pior que o câncer, foi a pior coisa que eu poderia te dizer e eu me arrependo muito de ter dito isso. O câncer só me trouxe tristezas enquanto esteve comigo, já você só me trouxe alegrias.
Eu continuava quieto ouvindo ele.
- Lembrando quando você nasceu, era um “bostinha”, era tão pequeno, tão inocente – ele deu uma pausa – e continua sendo da mesma forma, inocente, mas um grande homem. Eu lembro que eu peguei você no colo e disse que iria sempre te amar e te proteger aconteça o que acontecer. Fica tranquilo meu filho, eu não vou descumprir a minha promessa de 20 anos atrás, eu sempre vou te amar.
- Obrigado pai – falei.
- Eu fiquei pensando muito nas coisas que você me disse, pensei mesmo, fiquei o resto do dia todo pensando nisso.
O Portão se abriu e todo mundo foi para a esquina esperar os fogos de artifícios, que ainda não havia começado. Estávamo-nos encostado em um dos carros.
- Só que você meu filho, nunca fez nada de errado, nunca nos decepcionou. Você pode não ter sido um aluno exemplar na escola, mas fora isso, nunca deu problema algum. Não é um rapaz metido, é educado, de um grande coração e eu tenho orgulho de você.
- Obrigado, mas eu aprendi com os melhores: Meus pais.
- Queria te dizer então meu filho... – falou ele começando a chorar e colocando as mãos em meus ombros – Que você é muito especial para mim, que mesmo sendo difícil ter um filho gay, eu te aceito assim como você é.
- Eu também não sou assumido por tanto tempo – falei.
- Vamos aprender juntos? – pediu ele.
Eu dei um abraço nele, essa era a minha resposta.
- Claro pai, vamos aprender juntos, eu te amo muito, amo todos vocês.
- Desculpa por ter falado tudo o que eu falei – ele continuava chorando.
- Confesso que não foi fácil ouvir as coisas que você disse, mas o meu amor por vocês é muito maior do que tudo isso. Uma discussão não vai acabar com isso. São 20 anos construindo esse amor, pai.
Os fogos de artifícios começaram e deixaram o céu claro e colorido.
- Eu te amo! – falou ele que estava abraçado comigo e me apertando mais ainda.
As pessoas se cumprimentavam comemorando o novo ano: “Adeus ano velho, feliz ano novo. Que tudo se realize, no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.” Cantavam todos, enquanto estouravam os champanhes.
- Feliz ano novo, meu filho!
- Feliz ano novo para você também pai – eu estava chorando de felicidade.
O pessoal estavam nos chamando para ir lá com eles.
- Vamos lá, filhão – pediu ele.
Fomos, minha irmã e minha mãe estavam se abraçando. Eu cheguei na frente e a Flávia disse:
- Olha o milagre de 2008 acontecendo mãe.
- Verdade filha – falou ela bebendo o champangne – Viva 2008! – gritou ela.
Todos gritara: “Viva!”
- Estou muito feliz meu filho, já vai começar 2008 de bem com o seu pai, podendo ser um pouco mais livre. Eu desejo que esse ano seja o melhor ano para vocês meus amores – falou ela nos abraçando.
- Pra nós mãe – falei.
- Ah mãe, assim você acaba comigo, já to chorando mais do que tudo no mundo – falou Flávia emocionada.
Nesse instante meu celular vibrou. Olhei no celular e era mensagem do Jerson :
“Feliz ano novo, meu amigo. E ai como esta sendo nesse começo de ano?”. Eu respondi, assim:
“2008 prometi, começou da melhor maneira possível. Feliz ano para você e para a Laira também, esse ano promete!”, envie enquanto via o espetáculo dos fogos com minha família,
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