Capítulo 5° - A vida após o término


   Lembrei-me daquela senhora sabia que na pensão, no natal de 2007, me disse: “Sabe Paulo, eu vejo que a sua vida vai mudar – e colocando as mãos no meu ombro, continuou – Você terá uma prova de resistência na sua vida e vai ter que se cuidar muito, para não sair ferido dessa guerra”, eu perguntei para ela:  “- Guerra? Mas esta tudo dando tão certo para mim”, e ela me respondeu: “- Vou te dar um conselho de uma pessoa que já viveu bastante, que já apanhou de mais dessa vida e que tem muita experiência – e me olhando nos olhos, ela disse – Não grite para todo mundo que você esta feliz, a inveja tem sono leve”.
          Será que ela sabia que essas coisas iam acontecer comigo? Porque ao invés de só alertar, ela não me falou para ficar longe do Tiago e do Vicente? Seria muito mais fácil, eu não teria passado por essas coisas chatas.  Eu tenho que ficar melhor, eu fiz uma promessa aos meus amigos. Na segunda feira, eu recebi mensagens dos meus colegas, perguntando como eu estava. Sinceramente?  Eu sentia um pouco de saudades do Vicente, aliás, eu não sabia se era saudades, ou simplesmente um sentimento por eu estar sozinho.

     - Sabe Paulo, eu já passei por uma situação parecida com a sua e a gente precisa de um tempo para a gente, para se recuperar. É um tempo muito difícil, de um aprendizado muito grande, aonde você tem que ir descobrindo que para viver, precisa primeiro amar a você primeiro e não aos outros – falou a Laira, enquanto me levava até a porta da faculdade.
       - Laira, eu sei que é algo muito difícil mesmo, para mim está sendo super complicado, e é estranho, nós ficamos muito tempo juntos, vivemos muitas coisas ruins, mas também não posso mentir que não  vivemos coisas boas, vivemos sim, nós tivemos nossos momentos bons. O que eu não consigo acreditar, é como ele foi cretino comigo. Nossa, eu tenho vontade de brigar muito com ele – falei.
       - Quer a opinião de uma amiga?
       - Com certeza.
       - Finja que ele não foi nada, que ele passou por sua vida, mas que ele já foi e já foi tarde. O que ele quer, é isso mesmo, que você sinta saudades e que fique correndo atrás.  Mas você é uma pessoa incrível, não merece esse cara imbecil. Ele passou e você alguma hora vai conhecer alguém especial, que te faça ser a pessoa mais feliz do mundo e que você também fará o mesmo por ele, pode ter certeza.
      - Eu não sei o que te dizer – falei abraçando ela.
      - Só me diga que vai se cuidar e que não vai deixar nenhum otário fazer algo contra você – pediu ela.
       - Prometo sim. Agora eu só tenho uma dúvida. Agora que eu estou solteiro, o que eu faço, fico sozinho, ou viro puta? – falei dando risada.
       - Olha, você esta solteiro, então nada te impede de conhecer pessoas, porém você acabou de sair de um relacionamento longo , que foi quase um casamento e esse relacionamento ainda não saiu de você. Então, faça o que for, mas não coloque uma pessoa na sua vida, para esquecer outra. Pois vai acabar magoando alguém inocente.
      - Entendi, acho que não virarei puta – falei rindo muito – Aqui, chegamos à faculdade. Obrigado Laira, valeu por me trazer. Fica com Deus, sua linda e qualquer coisa me liga – falei dando um grande beijo na sua bochecha.
    Ela foi embora e eu entrei na faculdade. As pessoas estavam me olhando com um olhar de piedade, alguns com a cabeça baixa, como se sentissem muito por aquilo. Será que eles sabiam de algo, ou eu estava com mania de perseguição?    
        Andei mais um pouco e entrei na sala de aula. Ainda não tinha batido o sinal para começar a aula e além de mim só havia uma pessoa na sala, que veio falar comigo.
     - Paulo, eu sinto muito pelo o que aconteceu, você e o Vicente formavam um casal tão bonito – comentou a Jenifer – ele foi muito cretino com você.
     - Tudo bem, já esta passando -  agradeci - Mas como você sabe sobre isso? Melhor ainda, como todo mundo sabe sobre isso? Porque todos da faculdade estão me olhando com um olhar de pena, eles devem estar sabendo.
    - O Carlos escreveu no “Orkut” dele para todo mundo ler e me mandou um depoimento me contando.
    - Jenifer, você pode me mostrar isso? – perguntei ficando bravo.
    - Claro que posso, vamos até a sala de informática – falou ela me puxando pelos braços.
   Chegando lá, ela entrou no “Orkut” dela e mostrou o recado que o Carlos tinha mandando para todo mundo:
“Conhecem a novo do corno do momento? Sr Paulo Mendes Gradiole. Peguei o namorado dele e agora eles estão separados. Uhul!! rs”.
    - Filha de uma puta! Nossa, ainda bem que eu taquei muito refrigerante no olho dele e dei uma voadora no peito dele, espero que doa muito, por muitos e muitos anos – falei batendo as mãos na mesa.
   - Como assim, refrigerante? -
   - Depois te explico certinho, mas o que ele te mandou por depoimento?
   - Ele mandou isso – falou ela me mostrando o depoimento: “Oi amiga tudo bem? Como você está? Eu estou ótimo, principalmente porque eu estou conseguindo acabar com a vida amorosa do Paulo Mendes, rs. Eu usei o ex dele, eu fiz o Vicente me levar na casa deles, bem na festa surpresa do Paulo. Dai começamos a nos beijar dentro do armário e eu fiz questão de fazer muito barulho para ele nos ouvir.  Eu ouvi que o Paulo estava no quarto e comecei a fazer barulho. Ele foi desmoralizado na frente dos amigos. Imagina você ser traído pelo seu namorado, por um cara que você rasgou o coração? Eu podia ter dado tanto amor para ele, mas ele não quis, veio com uma história ridícula de amigo. Posso te confessar? Ele estava lindo naquele dia, deu um pouco de pena, mas quem mandou ele não me querer? Se deu muito mau, porque eu sou uma pessoa incrível e muito especial. Aliás, o chute que ele me deu no peito esta doendo até agora, mas me faz lembrar que eu estive perto dele. Assim, agora o Vicente esta correndo atrás de mim, falando que me ama e que eu sou o homem da vida dele, o cara não entende que eu sou o usei? Já disse que não quero nada, mas o babaca não entende. ”.
   - Paulo, eu odeio esse menino – falou a Jenifer - Ele é um imbecil, sempre teve inveja das pessoas. Não sei nem porque ele me mandou esse recado.
   - Nossa, eu quero esmurrar ele, quero fazer ele se arrepender disso. Se bem que eu fizer isso, eu vou estar me igualando a ele.
- Ele só pode ser um louco. O Carlos sabe que eu estudo com você, então eu acho que ele queria que visse esse depoimento dele.
- Também acho – falei.
   - Escuta a sua amiga aqui, eu acho que você tem que se cuidar. Você é lindo, uma pessoa incrível, gente boa. Não merecia uma pessoa como o Vicente, porque mesmo que vocês fizessem um belo casal, ele foi não te merecia, se ele fez isso com você, então ele era um babaca. Você ainda vai encontrar um cara que vai gostar de você e que você vai amá-lo, pode ter certeza que isso vai acontecer – falou ela sorrindo.
   Eu já tinha ouvido algo parecido um pouco antes.
   - Jenifer, uma amiga minha falou algo bem parecido com isso agora pouco – falei, lembrando da Laira.
   - É porque é verdade – falou ela dando um soco em meu braço – Essa sua amiga é bonita e solteira?
   - Sim, ela é linda, assim como você. E esta solteiríssima. Aliás, você é uma gata mesmo. Mas não precisa ficar batendo no meu ombro, viu sapatão?
Ela riu.
- Olha, só não vou brigar com você porque quem pode chamar lesbíca de sapatão é viado, ou sapatão mesmo – ela riu de novo – E outra, você tem uma amiga bonita para me apresentar.
    A Jenifer , parecia um anjo, um pouco menor do que eu, com o cabelo liso e pretos, batendo em seus ombros,  morena cor jambo, corpão de violão. Qualquer menina ou menino gostaria dela.
   - Qual o nome dela? – perguntou ela.
   - Laira – falei.
   - Gostei desse nome, quero conhece-la – disse ela me dando um soco no braço.
   - Te apresento se você parar de me bater, Jenifer – falei rindo.
   - Ok, parei.
Tocou o sinal da faculdade e fomos para a sala. Eu tentei prestar atenção na aula, mas estava difícil. Porque eles fizeram aquilo comigo? Uma cena ridícula, meu namorado, com outro cara se beijando pelados no meu armário no dia do meu aniversario e com meus amigos em casa. Eu sentia muita raiva, muita raiva mesmo. Eu já era aquele menino calmo que veio para Londrina no caminhão de verdura, a vida tinha me ensinado e ela tem um jeito muito grosso de ensinar as coisas.
      Quando cheguei em casa, joguei a minha bolsa na minha cama, coloquei a comida para esquentar no micro-ondas e fui tomar banho. Quando eu sai, comi o almoço e depois liguei o computador. Não havia nada de interessante no “Orkut” e nem no “Msn”. Dei uma olhada na minha casa e fiquei lembrando do Vicente: A gente conversando na cozinha, o dia em que ele me pediu em namoro, as brigas, o primeiro filme juntos, a décima quinta coxinha de frango juntos,  quase todos os momentos mais felizes da minha vida eu passei ali no meu apartamento, junto com aquele troglodita. Ele foi um cretino comigo e eu acabei vivendo uma mentira. Então abri o Word e escrevi o seguinte recado para mim:
“ Eu vou encontrar o meu verdadeiro amor sim, mas antes disso eu to solteiro e feliz”.
   - Isso mesmo, custe o que custar, eu vou encontrar o meu amor e viver um belo romance – falei em voz alta, fazendo um eco pela casa -  Pode demorar? Pode! Mas eu vou as coisas darem certas para mim.
No mesmo instante o telefone toca:
   - Só pode ser ele ligando – falando dando risada – Alô?
   - Oi Paulo, tudo bem meu anjo? – era a minha irmã, Flavia. De certo modo também era um dos meus amores verdadeiros.
   - Uau! Que surpresa receber uma ligação sua, quanto tempo que vocês não ligam – ouvi ela chorando – Flavia, esta tudo bem ai em casa? Esta tudo bem com a mãe e com o pai? – eu estava preocupado.
   - Sim, esta tudo bem com eles sim – respondeu ela – Mas eu não sei se eles vão ficar bem daqui uns dias.
   - Ai meu Deus, o que esta acontecendo, pode me falar mocinha, eles estão com alguma doença? – falei ficando tenso.
   - Eu estou grávida! – falou ela chorando muito.
   - Sério? Que incrível, parabéns! Eu vou ser titio, isso é mágico. Parabéns lindona, manda parabéns para o Orlando por mim – falei todo entusiasmado.
   - Você ficou feliz com a notícia? – perguntou ela parando de chorar.
   - Claro que eu fiquei, porque não ficaria?
   - Porque eu ainda não sou casada e o pai e a mãe vão brigar comigo.
- Flavinha, você é maior de idade, você faz o que você quiser da sua vida. Você acha que eles se importariam de ter um neto? O que eles mais querem é ter um neto e como eu não vou dar isso a eles tão breve, você faz isso pela gente.
- Como assim não pode? Pode sim. Você e Vicente podem adotar – falou ela.
Eu fiquei quieto, tinha esquecido de contar para ela o que tinha acontecido.
- Eu to solteiro.
- Nossa, Paulinho. O que houve? – perguntou ela.
- Aconteceu que o Vicente me traiu com outro cara.
- Eu nunca gostei desse cara, aliás, ninguém gostava. Eu não havia verdade nas coisas que ele falava, ele ia cumprimentar a gente e não olhava nem nos olhos da gente. Pessoas que são assim são falsas.
- Porque nunca me falou que achava que ele era ruim? – perguntei.
- Simples, você gostava dele, dai vai eu dizer que ele é o cara errado? Eu não posso me intrometer nisso, enquanto ele estivesse fazendo bem a você, tudo bem. Mas se ele fizesse algo errado e eu descobrisse, com certeza eu iria te contar tudo.
- Essa é a minha irmãzinha.
- Isso mesmo, agora vamos voltar ao meu sofrimento, que essa ligação é sobre mim e não sobre você – falou ela rindo – Depois eu te ligo e a gente fala sobre você.
Essa Flávia, era muito engraçada.
- Flavia, você vai ser mamãe, você e o olhando se amam, você trabalha, ele também, então não tem o que o que temer. Tudo vai ficar bem. Fica feliz, você esta carregando uma criança abençoada. Não tem o  porque você ficar preocupada?
Ela tinha voltado a chorar.
   - Ah não, chorando de novo? – falei. Pelo o que eu estou vendo mudança de humor também é algo que acontece na gravidez -  As coisas que eu disse não te ajudaram em nada? – perguntei.
   - Ajudaram, é que agora eu lembrei que eu pensei em abortar, eu ia perder essa criança abençoada. Me senti muito ruim agora – falou ela ainda chorando.
   - Calma, pelo menos você não fez isso. Então você ainda é uma pessoa boa. Ok? - falei rindo - Não fica triste, porque vai fazer mal ao bebê. Falando nisso, o que o pai e mãe falaram?
 - Eles ainda nãos sabem.
 - Eles não sabem? – gritei – Não acredito que você ainda não contou para eles. O que você esta esperando? Você tem que fazer ultrassom, tem que cuidar dessa criança, menina, tem que ter um acompanhamento médico o mais rápido possível. Quantos meses você esta?
- Não sei, eu só fiz o exame de farmácia de deu positivo.
- Flavia, conta pro pai e para a mãe e vai fazer esses exames menina.
 Tá vendo? Eu vou ser uma péssima mãe, não sei fazer nada certo.
- Claro que não vai ser uma péssima mãe, vai ser a segunda melhor mãe do mundo, porque você aprendeu com a melhor. Essa criança tem muita sorte de ter vindo para essa família – falei lembrando da minha família e ficando com saudades -  Nós somos loucos? Somos, mas somos perfeitos na nossa imperfeição.
- Tem mesmo. Vou contar para eles agora e procurar o médico. Beijos meu amor, te amo, você é muito especial. Você é uma pessoa fantástica. Aliás, feliz aniversario atrasado, mas é que eu estava tão preocupada com isso, que eu não lembrava que dia que era – falou a Flavia
- Tudo bem, mas manda o presente pelo correio, para ele não demorar. To brincando, muito obrigado. Beijos minha irmã perfeita, te amo muito. Se cuida, fica com Deus e cuida dessa criança e diga para ele, ou para ela, que já é um bebe amado – falei. Ela riu, agradeceu e desligou o telefonema.

       Alguns dias depois ela me ligou e disse que os nossos pais tinham amado a ideia de ser avós, ela também já estava fazendo um acompanhamento e ela estava com dois meses, então pela previsão do médico, a criança iria nascer em outubro.
       Os meses se passaram e eu estava saindo com os meus amigos e queria muito conhecer pessoas. Normalmente os homens sempre vinham com o mesmo assunto:
- Ok, seu nome é Paulo, mas você é ativo ou passivo?
- Eu não vou te dizer o que eu sou, eu não to querendo ir para a cama com você – falei para o rapaz, enquanto eu estava bebendo no “bar do J”. Eu até queria ir para a cama, mas iria me fazer um pouco de difícil – Porque você acha que eu vou te falar o que eu sou?
- Porque você quer dar para mim – falou o rapaz com um jeito muito arrogante – Ah eu me lembrei de você – falou ele rindo - Não foi você que foi uma vez na boate e subiu lá no palco e falou que era ativo?
- Eu? Eu nunca fui à boate – falei gaguejando – Não vou nesses lugares.
- Sim, foi você sim. Você disse que era ativo, porque ativo é quem se mexe e ainda completou que ajudava o seu pai na loja dele, não é isso? – falou o ogro rindo muito alto – Eu ri demais de você. Você é muito caipira – ele riu mais ainda – É até bonitinho, mas quer saber? Eu nem quero ficar mais com você.
- Ei, não quer saber o que eu sou na cama? – falei gritando para ele.
- Não, quero saber mais de você, oh “Ativasso” – falou ele indo beber algo no bar.
   Faz tempo que eu não ficava com ninguém. O meu plano de ser um super solteiro cobiçado não estava dando certo. Parece que só as pessoas só aparecem quando você esta namorando e com aliança na mão. Se você é solteiro e esta disponível ninguém quer nada. Quando eu estava namorando, tinha um monte de gente dando em cima de mim e agora nada. Eu sentia falta de abraços, de beijos, falta de chegar em casa e ter alguém pra conversar sobre o meu dia. Sim, eu estava carente. Teve um dia em que eu cheguei do meu trabalho, depois de ter trabalho o dia todo e o que eu mais queria era um abraço. Era pedir demais? Um simples abraço, um abraço demorado e gostoso. Quase como se fortalecesse as minhas energias, para eu aguentar mais um dia difícil de trabalho. Mas não tinha ninguém. Por esse motivo fiquei na sala com a televisão ligada para fazer barulho, coloquei um colchão no chão e abracei o travesseiro. É triste? Eu sei! É ridículo? Eu também sei, mas vou fazer o que? É o momento que eu me encontro. Também não gostaria.

    Em setembro eu estava conhecendo um menino, o nome dele era Bruno. Um sujeito até bem gente boa, mas havia algumas coisas nele que me deixavam meio chateado. A primeira, é ficar interrompendo as conversar das pessoas, a outra é ficar falando mal de tudo. Ele tinha um tic nervoso, que é ficar piscando sem parar.
Em uma dessas noites que eu resolvi chamar os meus amigos para ir em casa e também chamei o Bruno. Foram em casa a Laira, a Jenifer , o Jerson o Alifer e o Rogério, para jantar em casa, para conhecer o Bruno. Jerson estava conversando comigo na cozinha.
- Você o Bruno estão namorando? – perguntou Jerson.
- Não, nós estamos solteiro, a gente só fica as vezes, mas se ele quiser ter relacionamento com outra pessoa não tem problema – falei.
- Vocês dois estão um tirando a carência do outro. To certo?
- Exatamente isso, eu não gosto tanto dele, só estou ficando, estou sozinho o tempo todo. Ele manda mensagem antes de dormir. Eu fiquei que parece estranho – falei tomando um gole de vinho – Mas isso me ajuda um pouco a não se sentir sozinho.
- Eu vou ser bem sincero, eu não gosto dele – falou Jerson.
- Relaxa, eu não vou casar com ele- falei -  Ele me conta as vezes quando fica com outra pessoa e ele me disse que ficou com um cara que ele gostou bastante.
- Que horror, ele fica com alguém e te conta?
- Sim.
- Ai amigo, você não era dessa forma. Você esta aceitando muitas coisas que antes você não aceitaria.
- Você tem toda a razão, Jerson - falei – Mas por enquanto vou ficar assim mesmo.
   Lá na sala eu ouvi o Bruno gritando:
- Paulo, cadê a comida?
- Ta vendo porque eu não gosto dele? – perguntou Jerson – Ele não poderia vir aqui falar com você? Ele tem que gritar? Aff, não suporto nenhum pouco.
- É porque pouco tempo, logo eu fico sem carência e mando ele vazar – e pegando um frango, eu pedi para o Jerson – Me ajuda a levar o resto das coisas na mesa?
Ele pegou as batatas e foi comigo até a sala aonde estavam o resto dos amigos.
- Cheguei com um frango delicioso – falei levando até mesa.
- Mas está melhor que aquilo que você fez na quinta à noite? – perguntou Bruno a mim. E olhando para os meus amigos ele disse  – Porque esses dias ele fez um frango, gelado e mal cozido.
 Meus amigos ficaram se entreolhando.
- Sim Bruno, esta bem melhor do que aquele – falei, fingindo uma risada -  Meu micro-ondas estava quebrado e não estava descongelando.
- Que bom que hoje vai ter comida quente, mas no caso acredito que o que estava quebrado era você e não o micro-ondas – novamente Bruno riu sozinho –
Alifer e Rogério não estava mostrando nenhum sinal de alegria, eles também não estava aguentando o Bruno. E olhando para a Laira ele perguntou:
- Então menina, o seu nome é Laira, mesmo? – perguntou ele.
- Sim, é Laira – respondeu ela, toda simpática.
- Mas que nome estranho o seu – falou ele rindo. Somente ele riu.
- Eu gosto do meu nome – disse ela muito séria.
- O seu nome é perfeito meu anjo – falou Jenifer dando um beijo no rosto da sua namorada.
- Perfeito! – repetiu o Bruno, em um tom irônico – Você quer dizer estranho, sim porque Laira parece nome de travesti e não de uma sapatão.
- Escuta aqui – começou Jenifer – Para você o tampinha,  é senhora Sapatão, tenha respeita pelo nome dos outros. E outra o que você tem contra o nome da minha namorada? – perguntou a Jenifer se levantando.
- Eu? Nada, mas não é um nome legal, é bem estranho – respondeu ele.
Laira pedia para ela parar com isso, mas ela continuava:
- Estranho é você, seu tampinha de meio tigela, seu anãozinho de jardim do inferno – gritou a Jenifer querendo bater no rapaz.
- Jenifer, desculpa. Esquece ele não quis dizer nada. Por favor, esquece – pedi.
- Vou esquecer por causa de você, Paulinho – e olhando para o Bruno ela disse - Mas Bruno não mexa com ela, senão eu te arrebento a cara.
- Arrasou Sapatão – gritou Alifer. Jenifer olhou para ele séria  -  Jenifer, eu sou viado e seu amigo, então eu posso falar – ele gritou novamente -  Falou tudo! – ela riu quando ele disse.
Agora ele estava olhando o Rogério. Rogério é umas das pessoas mais simpáticas que você pode conhecer, ele é ator, estava em turnê com uma peça linda. Da minha altura, moreno e um pouco mais gordo, na verdade ela era gordo mesmo, com uma aparência jovial, tinha os seus 27 anos. Bruno não parava de olhar para a barriga do Rogério, que esse olhava para ele com cara de bravo.
- Amor, se prepara, porque ele vai teimar agora com você – falou o Alifer, vendo os olhares entre o Bruno e o Rogério.
- Perdeu o “cu” na minha cara? – perguntou o Rogério, ele estava bravo, porque também não havia gostado da brincadeira com a Laira.
– Isso realmente é uma barriga? Ou você é o primeiro homem grávido do mundo?
- Sim, estou gravido, quer ver o pezinho dele? – perguntou Rogerio falando das suas partes intimas.
Bruno ficou quieto, mas continuou olhando para o Rógerio que estava incomodado.
- “Tacuriçanotaco” -  falou o Rogerio.
- O que você disse? – perguntou o Bruno.
- Mandioca – respondeu.
- Que mandioca? -  perguntou o inocente do Bruno.
- A mandioca que eu vou enfiar no seu cu se você não parar de me olhar com essa cara de idiota.
- Arrasou amor – gritou Alifer.
- Gente, mas essa bicha grita por tudo? – perguntou bruno.
- Filha, antes de conversar comigo, vê se cresce, só converso com pessoas que tenham a minha altura.
Bruno estava ficando inquieto. Ele começou a piscar sem parar. Eu tinha que acalmar os ânimos dos meus amigos. Então eu levantei e comecei a falar:
- Pessoal, eu queria agradecer vocês por estarem aqui no meu apartamento hoje, eu realmente estou muito... -  falei.
- Feliz – falou o Bruno – Ele esta feliz – Ele estava tentando adivinhar as coisas que eu ia dizer,
- Obrigado Bruno -  falei, fingindo que eu tinha gostado – Continuando, vocês são a melhor parte de...
- Onde que é o banheiro mesmo? – perguntou Bruno, ao nada.
Eu parei. Esperei e o Jerson falou:
- No final do corredor.
Ele agradeceu, mas continuou ali na cozinha:
- Você não vai ao banheiro? – perguntei.
- Não, eu só queria saber onde era mesmo, eu tinha esquecido – ele piscava muito enquanto falava.
- Você esta dando em cima do meu marido? -  perguntou Alifer.
- Não, eu não – falou o Bruno, piscando sem parar.
- Então está dando em cima de mim? – perguntou Alifer.
- É tic nervoso, eu não consigo parar com isso? – falou o Bruno.
Eu continuava de pé tentando falar algumas palavras bonitas aos meus amigos.
- Gente, vamos para de brigar e vamos comer esse delicioso... – comecei a falar, mas o Bruno me interrompeu.
- Delicioso? Ai Credo, como você mente mal Paulo – falou o Bruno rindo muito, enquanto todos estavam sérios.
- Desculpa Paulo, eu não venho aqui na sua casa para ser desrespeitado e ver você também ser, esse seu “peguete” é um idiota e eu estou indo embora – falou o Alifer -  Vamos amor – falou ele para o Rogério – Depois a gente se fala pelo msn, pode ser?
- Não Roger e Alifer, não vai não – pedi a eles.
A Laira se levantou e falou:
- Desculpa Paulo, mas eu vou embora também, esse cara é um imbecil, ele só sabe te maltratar e falar coisas idiotas sobre a gente – a Jenifer também havia se levantado – Nós estamos indo.
Todo mundo levantou da mesa, só ficou sentado o Bruno, o Jerson  e eu. Jerson que estava perto de mim e falou:
- Amigo, pensa comigo, você realmente precisa desse cara? Do cara que fala mal de você, que briga com seus amigos, que não gosta de nada em você. Você realmente precisa disso?
Eu fiquei olhando para o Jerson, enquanto o resto do pessoal estava de pé e eu disse:
- Você tem razão – e ele olhando aos meus amigos, eu disse - Não gente, vocês vão ficar – falei.
- Isso mesmo, fiquem para comer esse frango gelado – falou Bruno rindo, como um cavalo.
- Vocês vão ficar, quem vai sair é o Bruno – me levantei, fui até a cadeira dele e falei – Agora quero que você saia da minha casa.
- Mas você precisa de alguém, você esta solitário, carente e você me quer – falou o rapaz.
- Pode ser que eu esteja carente mesmo, mas sozinho não, eu tenho os meus amigos e ninguém mexe com eles – e gritando eu disse – Agora caia fora da minha casa.
Ele levantou da cadeira, ficou olhando para todos nós que estávamos olhando ele. Rogerio vendo que ele estava demorando para sair, ele gritou:
- Sai daqui!
Bruno abriu a porta e saiu correndo. Eles riram. Eu sentei na cadeira novamente e falei:
- A Laira pode ter nome de travesti mesmo, o Rogério pode ser gordo, a Jenifer pode ser sapatão que adora bater no braço dos outros, o Alifer pode gritar “arrasou” para tudo, mas vocês são perfeitos – falei rindo – Vocês lindos, não esquentem com o que ele disse, ele é um babaca
Todos na sala riram.
- A gente não esquenta não amigo – falou a Laira.
 - Mas o pior é que ele esta certo mesmo gente, estou carente, não tenho ninguém pra ficar comigo -  falei
- Agora a gente não é ninguém?  Nós não ficamos com você do jeito que ele ficava, mas nós estamos sempre ao seu lado – falou o Rogério - Você não precisa de um cara idiota como esse, você é maravilhoso e você tem os seus amigos aqui.
- Obrigado Roger, você é o máximo.
- Eu sei – respondeu ele brincando.
- Deixa eu ver esse frango – falei. Provei um pouco e falei – E não é que ele tinha razão, esta gelado mesmo.
- A gente nem liga – falou a Jenifer.
- Vamos comer um lanche? – falei.
       Nós fomos até a cozinha, enquanto um ia cortando o pão, a Laira ia fazendo o molho, o Alifer ia fazendo as salsichas, o Rogerio ia passando maionese nos pães. Nós montamos uma verdadeira força tarefa fazer os lanches.
- E o que eu faço, gente? – perguntou Jerson vendo nós fazendo os lanches, enquanto ele tomava vinho.
- Você com a louça – falei.
Ficou para a Jenifer cortar as laranjas e fazer o suco para nós. No final, misturamos o frango (esquentado, é lógico) com a salsicha e comemos muito, ficou ótimo.
        Começamos a assistir um filme de comédia. De repente parei e olhei para eles, rindo na minha casa, como uns loucos, mas eram os meus loucos, os meus maravilhosos loucos, os meus anjos, cada um jogado em um canto, dois no sofá, os outros em um colchão no chão e fiquei pensando: “ Eu estou correndo atrás de alguém, enquanto eu tenho os melhores amigos do mundo? Olha isso, eles são fantásticos e me amam”. Foi então que eu percebi como eu sou sortudo e já tinha tudo o que eu queria. Não precisava de alguém para me fazer feliz, aliás, precisava sim, deles e eles estavam lá, me completando. Enfim, havia esquecido o Vicente e estava dando o valor a quem realmente merecia, os meus amigos.

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