Capítulo 8° O Show
- Que lindo o seu apartamento – falou o Marcus entrando.
- Eu amo esse lugar, aqui é o meu lar, o meu refúgio – falei – Fica a vontade, a casa é sua.
- Obrigado.
Ele foi andando e foi para a sacada.
- Que vista mais linda! – falou ele. Ele não estava falando alto, por causo do horário – Você tem um grande campo, verde e lindo aqui na frente.
- Sem falar que o sol nasce para esse lado, então eu consigo ver o Igapó da barragem daqui a também o por do sol.
- Deve ser maravilhoso – falou ele.
- É muito lindo – falei, enquanto colocava um colchonete na varanda para nós sentarmos – Você quer que eu faça um café pra nós dois?
- Se não for te incomodar eu quero sim, lindo – falou ele se sentando no colchonete amarelo.
Eu estava na cozinha fazendo o café, enquanto via ele na varanda olhando a paisagem. Assim que eu terminei, eu levei em duas xicaras para nós.
- Muito obrigado, Paulinho – disse ele pegando uma xicara e bebendo – Nossa que delicia. Seu café é muito bom.
- Aprendi fazer café bom, tentei tantas vezes que hoje em dia eu consigo fazer café com mais qualidade– falei – Olha, mas até acertar o ponto certo, tomei muito café ruim – sentei do seu lado - Um brinde a nós dois.
- Tintim! – falou ele batendo uma xicara na outra - Que essa seja a primeira de muitas vezes que vamos ver o por sol juntos.
- Se Deus quiser! – e olhando para ele, eu disse – Eu tenho vontade de voltar ao passado e falar para aquele Paulo, que estava chorando a um atrás: “ Calma Paulo, agora você esta chorando no seu aniversário, pelo o que acabou de acontecer, mas daqui a um ano tudo vai ser diferente, você vai conhecer o Marcus, ou melhor, você vai reencontrar o Marcus, vai curtir a noite com ele e com os seus amigos e no começo do dia vai estar tomando café com ele na varanda da sua casa, enquanto o sol nasce” - nesse momento o sol começou a nascer.
Ele tomou um gole de café e depois disse:
- Eu não acho que você demorou para nós nos encontrarmos, acho que você apareceu no momento certo. As vezes eu penso que não é uma coincidência, que desde aquele dia já estava tudo arquitetado para isso acontecer.
- Você não acredita em coincidência? Nem eu.
- Nossa, que coincidência, né? – respondeu Marcus brincando.
- Você vai ter algum compromisso amanhã, Marcus?
- Amanhã tenho um show da banda para trocar com a banda.
- Sério, eu quero ir também.
- Você não precisa nem pedir, você vai comigo. Nos chamaram para tocar as músicas do Nando Reis.
- Eu amo as musicas dele – falei eufórico.
- Vocês gosta de quais?
- Todas, sem nenhuma exceção. O Nando Reis é incrível – falei
- Além de ser um show em homenagem ao Nando Reis, também vai ser um show em sua homenagem.
- Ta brincando, sério? Como assim em minha homenagem?
- Nunca falei tão sério assim. Acontece que o cantor vai pensar muito em você em quanto canta – falou ele com a boca encostada com a minha – O show vai ser as 20 horas.
Terminamos de tomar o café. Ficamos conversando por mais meia hora mais ou menos, mas não conseguimos vencer o sono, que veio e nos derrubou. Dormir ali no colchonete. Quando o sol começou a bater mais forte, chamei o Marcus para deitar no meu quarto. Ele estava com muito sono.
- Onde que é o seu quarto mesmo? – perguntou ele parecendo um Zumbi.
- Por aqui – falei segurando as mãos dele.
Ele entrou no quarto, tirou os tênis e deitou. Eu deitei do seu lado. De repente, eu sinto uma mão me puxando.
- Dormi pertinho de mim, meu lindo – falou ele.
Eu deitei no seu peito, enquanto me fazia cafuné, ele disse:
- Quero você só para mim.
- Já sou, desde que eu nasci – respondi.
“Eu estava em um bar, tudo estava escuro, havia uma câmera fotográfica em cima da mesa, em cima do balcão ao lado da câmera havia um bilhete escrito: Abra. Olhei para um lado, olhei para o outro e não tinha ninguém olhando. Agora eu descubro o que esta nesse papel”. No momento em que eu fui abrir, fui acordado pelo Marcus cantando e tocando um instrumento que parecia um mini violão ao lado da minha cama:
- “Não há nada mais lindo, do que amanhecer, em um dia de domingo e lembrar, que eu tenho você!” – ele sorria muito. Eu sou louco por pessoas que cantam sorrindo – “Não lhe prometo eternidade, mas dias lhe ofereço um milhão, deixo você com metade do coração. Meu amor, meu amor, doce é vento ao te encontrar. Meu amor, meu amor, Comme le dit jacques brel , Ne me quitte pas , Ne me quitte pas , Ne me quitte pas , Ne me quitte pas. Não há nada mais lindo do que amanhecer, em um dia de domingo e lembrar, que eu tenho você” - no final da música ele parou do meu lado e me deu um beijo.
Será que eu posso pedir em casamento já? Era muito lindo.
- Você vai ter que fazer isso todos os domingos, viu – falei dando um beijo nele – Que linda música. De quem é ela?
- Do Leo Fressonato, a música se chama: “Não há nada mais lindo”, eu acho perfeita. Ele é um musico brilhante aqui do Paraná. Ele que escreveu aquela música: “Meu amor, é a ultima oração, pra salvar seu coração, coração não é tão simples quanto pessoa, nele cabe o que não cabe na dispensa, cabe o meu amor, cabem três vidas inteiras, cabe uma penteadeira, cabe nóis dois.”.
- Achei que fosse da Banda mais bonita cidade – falei – Eu amo essa música e essa banda. É a única música que acalma o meu sobrinho quando ele esta muito agitado.
- Ele que escreveu, o Leo é colaborador da banda. É bom saber que existem pessoas que estão investindo na música e que tem muito talento – falou ele.
- Muito bom mesmo. Eu sou um pouco chato para música, eu não gosto de todas as músicas, mas também não fico falando mal do gosto musical dos outros.
- E quais são os seus gostos?
- Olha eu gosto do Skank, Legião Urbana, Paralamas do sucesso, Nando Reis, Cássia Eller, gosto muito do Lulu Santos, Elis Regina, que além de ser a maior cantora do mundo, ainda deixou a incrível Maria Rita, gosto do Capital Inicial, Tom Jobim, mas eu tenho uma grande paixão pelo Cazuza.
- Belo gosto musical, gostei. Olha, eu conheço várias músicas deles, mas se eu ouvir alguma que eu não conheço, eu posso ir tirando ela na hora.
- Sério? Seu curso te treina para isso? Que massa – perguntei.
- Somos, totalmente treinados para isso. Mas tem que estudar muito hem. Você pode me falar que é fácil. De repente você me ouvi tocando uma música e pensa: “Ele esta estudando? Não, ele só esta tocando violão.” Mas eu estou estudando sim, é difícil e os professores cobram muito da gente – falou o Marcus.
- Que tenso! – e o mostrando o seu mini violão, eu perguntei – Qual é o nome desse mini violão? – perguntei.
Ele riu.
- Não é um míni violão, esse é um bandolim de sete cordas. É um dos instrumentos que eu optei por melhorar no curso, além de violão, guitarra, piano e violinho.
- Só isso?
- Só isso – repetiu ele rindo – E você toca o que?
- Toco campainha e saio correndo.
Ele pegou o bandolim e fez o toque da música do filme “O poderoso chefão”. Só faltava aparecer uns mafiosos italianos ali na nossa frente, querendo comer spaghetti com bolonhesa, todos dando tapas na cara um dos outros. Minha mente viajava ao som da música do filme. Demais! O Marcus era muito bom.
- Sensacional! Você é incrível! – falei.
- Que nada, é bondade sua. Você que é uma boa pessoa e não quer falar que eu toco mal.
- Pois é, é isso mesmo – falei, fazendo uma cara de louco – Você toca muito bem Marcus. Parabéns!
- Muito obrigado lindo – falou ele fazendo biquinho. Dei um selinho e depois um beijo mais demorado nele.
- Como eu pude ficar tanto tempo sem esse beijo? Vale mais do que cinquenta energéticos – comentou ele.
- Olha, será que eu podia vender beijos? – falei brincando.
- Não, claro que não. Aliás, pode , mas eu vou comprar todos.
- É assim que se fala garoto – e mostrando o bandolim, eu perguntei - Toca mais uma música?
Ele pegou o bandolim, deu uma afinada rápida e me perguntou:
- Posso tocar sim, mas o que eu vou ganhar em troca?
- Reconhecimento.
- Reconhecimento? Não, eu não quero. Quero beijinhos, carinhos e cafunés sem ter fim – falou ele me dando um beijo.
- Você acha que eu sou fácil assim? É só tocar uma musiquinha e ganha um beijinho?
- Sim, é sim.
- Então me mostra – ordenei.
Ele pegou o bandolim e começou a cantar em perfeita tonalidade:
- “Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva. Ser seu pão, ser sua comida, todo amor que houver nessa vida. E algum trocado pra dar garantia”. – ele fez uma pausa, deu um sorriso, enquanto eu babava de orgulho e continuou – “Porque ser artista no nosso convívio...” – eu nem deixei terminar, dei um beijão demorado dele.
Ele tinha razão, era só tocar uma musiquinha que eu dava quantos beijos ele quisesse, seguidos de cafunés e carinhos sem ter fim.
- Você conhece essa música? – perguntou ele a mim.
- Sim, é “Todo amor que eu houver nessa vida”. Música de Frejat e Cazuza, cantado pela Cássia Eller e agora por você. Jogou baixo para ganhar beijinhos – falei rindo.
- Nem é pra tanto – falou ele rindo.
- Tem razão, nem foi tão bem assim – falei.
Ele fez um biquinho de lindo, junto com uma cara de mal e disse:
- Vamos fazer uma brincadeira?
- Depende. Qual?
- Eu falo uma palavra e você tem que cantar uma música que tenha essa palavra.
- Topo sim– falei.
- Eu começo. A palavra é: Mar – falou ele.
Eu nem esperei, falei direito:
- “Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar, dizer que aprendi. Ah, se a vida tem que procurar, ter um sonho todo azul, azul da cor mar”. – parei e agradeci, enquanto ele me aplaudia.
- “Azul da cor do mar” do Tim Maia. Mandou muito bem. Agora manda uma para mim.
- Deixa eu pensar – fiquei pensando um pouco e falei – A palavra é vila.
- Nossa! Não me vem nada na cabeça agora. Dá uma dica para mim?
- É de um cantor negro.
- Ajudou muito – falou ele mentindo e rindo – Qual cantor?
- Milton nascimento!
- Eu conheço um monte de músicas dele, mas essa eu não estou lembrando. Vila? Você tem certeza que tem Vila em uma das músicas dele? Da mais uma dica? – pediu ele com olhinho de gato molhado.
- Ah, agora virou zona? – falei brincando – Tudo bem, eu dou uma dica sim. A música é “Flor de Liz”.
Ele começou a rir muito alto e eu não estava entendendo nada. O que eu tinha feito? Marquinho estava sem ar.
- Respira, respira, respira! Faz o cachorrinho.
Daí ele começou a rir mais alto ainda.
- Agora eu estou grávido? – ele estava chorando de rir - Estou parindo aqui pra fazer o cachorrinho? .
Ele parou, respirou um pouco e quando voltou ao normal, ele me disse:
- Lindo, você é demais.
Eu definitivamente não havia entendido nada.
- O que eu fiz? – perguntei.
- Essa música não é do Milton Nascimento e sim do Djavan. A palavra vila, fica no refrão – ele pegou o bandolim e cantou: “ E o meu jardim da vila, ressecou ou morreu e o pé que brotou Maria, nem margarida nasceu”. Você é demais Paulo.
Que gafe!
- Ta certo, eu errei, mas foi quase. Eles são ótimos cantores de MPB e são negros – tentei me defender.
- Tudo bem Paulo, eu vou deixar passar essa – falou rindo – Agora é a minha vez. A palavra é: Show.
Fechei os olhos e tentei pensar em uma música que tivesse essa palavra.
- “Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor” – cantei – Marcus, essa você me deu de graça. Cazuza? Eu conheço todas dele.
- Tudo bem, eu quis falar uma fácil por causa do Milton Nascimento, mas garanto, a próxima será muito, mas muito difícil mesmo – falou o Marcus rindo como se fosse um bruxo de filme de terror dos anos 30.
- Pode mandar, eu não tenho medo de nada – falei – Mas a vez é minha e quem vai mandar uma música muito difícil sou eu.
- Quero ver.
- A palavra é: “Zumbi”.
- Zumbi? Olha, essa é realmente difícil, eu só lembro dos zumbis de filmes e do vídeo game, mas em uma música, eu não me lembro não. Da uma dica Paulinho?
- Oh Marquinhus, quem faz curso de “musiquinha” é você, se vira. Estou brincando, dou sim. É um cantor negro.
- Milton Nascimento ou Djavan? – falou o rapaz rindo.
- Nem um deles – eu também ria. Estava amando ficar ali brincando com ele – É do Jorge Ben Jor.
- Ta ponta da língua, mas eu não consigo lembrar. Me ajuda lindo, como é o começo dela? – pediu ele de um jeito que se eu não ajuda-se, eu seria muito, mas muito mau.
- Tudo bem, começa assim: “Angola, Congo Benguela, Monjolo Cabinda Mina, Quiloa Rebolo” – na hora ele lembrou e imediatamente começou a tocar em seu bandolim, enquanto eu cantava – “Aqui onde estão os homens, há um grande leilão, dizem que nele há uma princesa à venda, que veio junto com seus súditos, acorrentado num carro de boi” – nesse momento ele começou a cantar comigo, fazendo a segunda voz – “Eu quero ver, eu quero ver, eu quero ver.”
Eu parei e deixei ele dando o show:
- “Angola, Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo. Aqui onde estão os homens, de um lado cana de açúcar, do outro lado cafezal, ao centro senhores sentados, vendo a colheita do algodão branco, sendo colhidos por mãos negras” – a partir desse momento eu comecei a fazer a segunda voz – “Eu quero ver, eu quero ver, eu quero ver”.
- O que você quer ver? – perguntei dando ênfase a canção.
- “Quando o zumbi chegar” – me respondeu cantando bem alto e tocando muito bem.
Comecei a bater palmas para ele:
- Maravilhoso, perfeito, você é incrível. Eu não me canso de falar isso – eu aplaudia muito alto – sério, você canta muito bem, afinadíssimo, você quase mata o seu bandolim, você faz com ela o que você quiser. Impressionante!
- Você que esta de parabéns, você também canta muito bem e muito obrigado por trazer essa pérola da M.P.B, eu havia até me esquecido dela - agradeceu o moço.
- Por nada, agora quando você ouvir ela, vai lembrar de mim – falei.
- Isso mesmo, quando eu lembrar de zumbi, vou lembrar de você – ele começou a rir muito alto – Não, não estou querendo dizer que você é zumbi, quero dizer a música, ela se chama zumbi, então quando eu ouvir ela, eu vou lembrar de você.
Ele me deu um beijo perfeito.
- Que horas são? – Perguntei.
Ele olhou no relógio e viu que era:
- São 17 horas já – falou ele levando um susto – A gente não dormiu, a gente hibernou.
- Parece que quando estamos juntos o tempo não anda, ele corre uma maratona, é muito rápido.– falei. Ele concordou.
- Você quer levar alguém para ir no show?
- Vou ligar para o pessoal e ver quem pode ir.
- Beleza lindo.
Nós fizemos um café da tarde para comermos. Tomamos suco e comemos omelete de presunto e queijo. Mas tarde ele foi embora para se arrumar e para ir tocar com a banda. Eu liguei para todos os meus amigos e só consegui falar com o Jerson. Fiquei mais um tempo aproveitando o meu dia de folga, depois me arrumei e fui para o lugar onde seria o show. Encontrei o Jeh na frente do local.
- Oi amigo! – falou ele me dando um abraço – Que cara é essa?
- Não adianta esconder nada de você né? – falei – Estou completamente louco pelo Marcus. Me rendi muito fácil.
- Ele esta te fazendo bem?
- Muito bem, ele me faz senti a melhor pessoa do mundo.
Meu telefone tocou, era o Marcus.
- Oi anjo! – falei.
- Onde você está? – perguntou o Marcus.
- Aqui na frente conversando com o Jeh.
- Manda um beijo para ele – falou o Marcus – Daqui a pouco vai começar o show e eu queria ouvir a sua voz antes.
- Boa sorte, lindo. Tenho certeza que você vai mandar muito bem.
- Obrigado. Agora vou desligar, vamos decidir algumas coisas – falou o Marcus – Quero te ver na frente, ta?
- Vou estar lá. Beijos – me despedi. Ele desligou.
Jerson me olhava rindo.
- Que bonitinho, ele ta “xonadinho” também, acabei de falar dele e ele já liga.
- Ele é um anjo – falei.
- Amor prematuro é algo bem corriqueiro – me alertou o Jeh - Vocês formam um lindo casal juntos, mas eu tenho medo oque você se machuque, assim como foi com os outros.
O lugar onde nós estavamos era tão legal quanto a balada que eu conheci o Marcus. Tinha uma aparência antiga, com quadros dos Beatles e sofás espalhados. Também havia a área aonde a banda ia tocar, era uma parte separada por uma porta.
- To ansioso pelo Marcus. – falei pro Jeh - Mas acredito que vai ser muito legal, ele é muito bom.
Nós entramos, passamos na recepção, nos deram um cartão de consumo. Fomos beber alguma coisa. Eu peguei uma cerveja para mim e o Jeh pegou um refrigerante de citrus. Nos sentamos em um dos sofás e começamos a conversar.
- Nunca vim aqui – falou ele.
- Eu também, mas eu gostei. Quero vir mais vezes.
- Paulinho, o que eu estava te falando lá é algo muito sério, eu realmente tenho medo de você se machucar com o Marcus. Porque você já ficou com outras pessoas, achou que era a pessoa certa e... – ele parou de falar.
- E o que, Jeh? – falei olhando para ele. Ele parecia uma estátua – O que você estava falando, viado?
- Paulinho, você está vendo aquele rapaz? – falou ele apontando para um rapaz.
- Quem?
- Aquele anjo ali – falou ele.
- Há sim, estou vendo.
- Meu futuro marido – falou com uma cara de bobo - Ele é o cara mais lindo do universo – falou o Jerson quase babando.
- Eu conheço ele, é o Bernardo – comentei.
- Como assim você conhece ele e nunca me apresentou? Cadê a amizade nesse momento? – falou ele bravo - Bernardo? Adorei, assim eu posso chama-lo de Bebê.
- Como era o assunto do amor prematuro? – perguntei rindo.
- Ai Paulo, eu vou “Amalo, amolei, amamo-lo, amarei ele” - ele ria – Quem falou essa baboseira de amor precoce?
- Você - falei.
- Eu? Não me lembro.
Jerson bebeu um gole do seu refrigerante e me perguntou:
- Ele é gay?
- É sim.
- Não me diga que você já ficou com ele? – perguntou o Jeh – Porque eu não fico com quem ficou com amigo meu.
- Não, eu não fiquei com ele não.
- Graças a Deus – agradeceu o Jeh - Não quero ter o risco de não ficar com ele.
- Ele fazia faculdade na mesma universidade que eu – falei – A gente não conversava muito, mas ele sempre foi legal comigo.
- O que ele faz?
- Ele estudava medicina, ele já se formou
Bernardo estudava medicina na mesma Universidade que eu. Ele era menor que eu, deveria ter 1,70 mais ou menos. Era forte, moreno claro, com os cabelos raspados, olhos bem verdes e com a barba rala. Era o homem dos sonhos do Jeh e da maioria das pessoas de lá.
- Lindo, médico e gay? – perguntou o Jeh – Não me acorda se eu estiver sonhando, me deixa sonhando.
- Eu vou te apresentar a ele.
- Amigo, eu tenho vergonha.
- Lembra que alguns anos atrás eu disse que ia arranjar um namorado para você e uma namorada para a Laira? Então, tenho que cumprir a minha promessa, para a Laira eu já cumpri – falei.
- Nossa, imagina eu namorando esse Deus grego?
Acenei para o Bernardo e disse:
- Bernardo, vem aqui!
Ele veio.
- Tudo bem? - ele tinha uma voz suave
- Tudo bem sim e com você? – perguntei.
- Perfeito! – respondeu ele.
- Você veio para ver o show? – perguntou ele.
- Sim, eu estou conhecendo o cantor e guitarrista da banda – contei.
- Olha que maneiro, eu já assisti alguns shows da banda Plenos poderes e eu achei eles muito bons – falou ele.
- Pois é, o Marquinhus é meu orgulho – e olhando para o Jeh, eu falei – Desculpa a minha a má educação, você conhece o Jerson?
Eles se cumprimentaram, Jerson estava fazendo cara de sensual e Bernardo estava aparecendo que só estava ali por causa do Jerson.
- Prazer – falou o Bernardo.
Bernardo sorriu e os dois começaram a conversar. Marco me ligou e disse:
- Lindo, você esta aonde?
- Eu estou aqui bebendo uma cerveja no bar. E você como está?
- Estou bem, ansioso para começar a tocar logo. O show vai ser muito importante para mim, vai ser a primeira vez que você vai assistir – falou ele.
- Eu nem assisti ainda e já acho que é o melhor show que eu já vi – falei rindo – Vocês vão quebrar tudo meu lindo, vai ser perfeito!
- Claro que vai ser sim, o show vai ser em sua homenagem – falou ele - Lindo, em 5 minutos a gente já vai começar, você pode ir indo até o salão, já? – perguntou ele.
- Claro que posso, deixa eu só chamar o Jeh – olhei para o lado e não vi mais o Jeh – Parece que o Jeh esta se dando bem, apresentei um amigo meu para ele – falei rindo – Eles sumiram. Já estou indo meu anjo. Quebra tudo!
- Até jájá, eu quero ver você lá na frente do palco. Beijos – falou ele desligando.
Eu fui até a frente do palco e no horário correto eles começaram o show, As cortinas se abriram, uma luz focou no centro e a banda começou:
- “Ponho os meus olhos em você, se você está, dona dos meus olhos é você, avião no ar. Um dia pra esses olhos sem te ver, é como chão no mar, liga o rádio à pilha, a tv, só pra você escutar, a nova música que eu fiz agora, lá fora a rua vazia chora”.
Esse é o meu garoto, ele sabia que eu amava essa música. Ele estava cantando super afinado, tocando uma guitarra vermelha, com detalhes preta. Ele estava lindo demais, tinha uma presença de palco incrível. Eles estavam tocando a música em um rock um pouco mais pesado, deixando em uma versão totalmente deles. Eles estavam dominando o lugar. Olhei para o lado e vi o Alifer e o Rogério. Eles me viram e acenaram também, eles foram até onde eu estava.
- Tentei ligar para vocês para chamar vocês para virem aqui, mas vocês não atenderam – falei.
- O Celular esta em casa, acho que nós já estávamos aqui – falou o Alifer – Eu to enganado ou aquele cantor é o seu bofe?
- Esse é o meu bofe. – respondi.
- Ele é muito bom – falou o Rogério.
- Ele é incrível – falei.
- Bicha, a senhora esta totalmente apaixonada – falou o Rogério – Você esta bem feliz, né?
- Eu estou muito feliz, passamos o dia todo juntos, vimos o por do sol juntos. Ele é realmente um cara legal – falei.
- Já estão namorando? – perguntou o Alifer.
- Ainda não, né! – respondi - Faz dois dias que estamos conversando.
- Ele já dormiu na sua casa, vocês estão passando o dia todo juntos e ele não para de te olhar – falou o Rogerio – Pedi em namoro ele, antes que as outras bichas peçam – falou ele rindo – Olha quantas bichas babando nele.
Outro para o lado , tinham muitas pessoas cantando com ele e muita gente olhando o meu barbudinho também. Marcus estava na parte que eu mais gosto da música:
- “Passo as tardes pensando, faço as pazes tentando, te telefonar. Cartazes te procurando, aeronaves seguem pousando...”
- Vou conversar com ele depois que ele sairmos daqui hoje – falei.
- “Sem você desembarcar, para eu te dar a mão nessa hora, levar as malas pro fusca lá fora...” – cantava o Marcus.
Marcus estava cantando e me olhando sorrido de orelha a orelha:
- “ E eu te amo! Eu te quero vem, diga que você me quer, que eu te quero também!”
- Ele esta cantando isso para você, Paulo! – falou o Rogério - Ele também te quer, pelo menos foi isso o que ele cantou – eles estavam rindo.
Tinha um cara que estava perto de nós que falava para um amigo dele:
- Ele também me quer – falou ele – Como o cantor é lindo.
Oi? Lindo? Ele é o meu lindo, para de olhar para ele. Eu estava com raiva daquela bicha idiota, eu estava morrendo de ciúmes.
- Paulo, ta tudo bem? – perguntou o Alifer.
- Sim – falei seco.
- Ta com ciúmes do menino aqui do lado? – perguntou ele.
- Claro que não, eu nem sei o que é ciúmes.
Enquanto cantava, Marcus deu uma piscada para mim.
- Gente, ele piscou para mim – falou a bicha escrota.
- Tem certeza que não esta com ciúmes? – perguntou o Alifer rindo do jeito que eu estava.
- Claro que eu tenho, as bichas podem querer, mas ele é meu – falei.
De novo o rapaz gritou pelo Marcus:
- Eu quero ele nu na minha cama.
Eu olhei na hora para ele.
- O que foi que você disse? - perguntei bravo.
- Eu quero ele nu na minha cama – falou a bicha ridícula apontando para o Marcus.
- Ele não vai ficar nu na sua cama, ele vai ficar é na minha – falei.
- Sai daqui invejosa, eu quem vou pegar o guitarrista e cantor antes que você. – falou ela.
- Ah minha querida, a senhora quer pegar ele, mas eu já, estou pegando, nós estamos juntos.
Ele me olhou cima a baixo e disse:
- Querida, quando ele me ver, ele vai me querer, ele não vai querer você, ele não vai nem ligar para você. Quem nunca comeu melado, quando comi se lambuza - falou a bicha de um jeito muito ridículo. Nossa, como eu estava com raiva dele.
Deu uma vontade de pegar o cabelo dele e bater forte a cara dele na parede, enquanto eu chutava a barriga dele. Eu estava com muita raiva. Em pensamento já tinha matado essa bicha umas quinze vezes.
- Vamos ver então, meu querido – falei.
Sai de perto dele e fui para mais perto do Marcus. A Bicha também foi. Ele acenava para mim enquanto cantava as músicas do Nando Reis. Ele ia tentando me puxar, me bater, mas como eu sou rápido, ele nem me atingia.
Marcus chegou bem perto do palco e disse:
- Pessoal, que quero chamar alguém para cantar comigo.
A bicha ficava me olhando e depois sorria para o Marquinhus. Ele continuou falando:
- Vocês sabem que hoje o show é em homenagem ao Nando Reis, mas também é para o Paulo, que sem ele eu não teria começado a cantar e que sem saber influenciou muito a minha vida.
Ele abaixou e disse:
- Vem cantar comigo.
Parecia que a bicha não estava acreditando que ele estava falando comigo, ela estava morrendo de inveja e eu estava adorando. Perai, ele disse cantar? Epa, espera um pouco. Cantar? Mais cantar o que? Não dá para chamar a bicha? Melhor não, vai que ele aceita. Eu como não sou de dizer não, topei. Segurei na mão do Marcus e subi no palco aplaudido. A bicha já não estava ali na frente. Isso mesmo sai daqui seu idiota, quem manda aqui sou eu.
- Senhores e senhores, Paulo Mendes - falou ele me apresentando.
As pessoas me aplaudiam e eu ia ficando cada momento mais vergonhoso.
- Boa noite, pessoal! - falei.
Ele chegou no meu ouvido e sem o microfone e perguntou:
- Você sabe cantar a música: O segundo o sol?
- Sim.
- Pode ser essa?
- Pode sim – falei muito nervoso.
Que Deus me ajude! Marcus fez um sinal para a banda:
- Vamos lá.
Eu estava parado, não sabia o que fazer. A ultima vez que eu tinha subido no palco era quando a Drag perguntou se eu era ativo ou passivo. E nesse bar tinha muito mais pessoas. Ele começou tocando com o seu violino sozinho, a banda estava esperando.
- “Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas, derrubando com assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa” - a partir desse momento a banda começou a tocar junto, com uma guitarra mais pesada, um violão, um baixo, uma bateria e um percussionista. O Marcus continuou tocando o violino e cantando -“ Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas, derrubando com assombro exemplar, o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa.”
Ele chegou perto de mim e disse, sem as pessoas ouvirem:
- Assim que o baterista te der o sinal, você começar a cantar a outra parte.
Como é que era a parte mesmo? Aminésia é você? O baterista fez sinal. Sério moço? Cantar agora? A gente, não quero não. Fiquei parado, a banda e o Marcus ficaram me olhando. Ele estava paciente e soletrando sem som, o comecinho da minha parte: “Não digo...”. Então, toda a música veio na minha cabeça e eu comecei:
- “Não digo que não me surpreendi, antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar” – cantei. Incrivelmente eu também estava afinado.
Marcus cantou a outra parte da musica. Ele me olhava como se estivesse me dando uma resposta.
- “Mas você pode ter certeza, de que o seu telefone irá tocar, em sua nova casa que abriga agora a trilha incluída nessa minha conversão.”.
- “Eu só queria te contar que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida que ardia sem explicação.” – respondi. Olha, eu devia ter feito curso de musica também, estava me achando o máximo ali em cima.
Depois disso cantamos a parte final, com ele falando uma frase e eu outra:
- “Explicação”.
- “Não tem explicação” – cantei.
- “Explicação”.
- “Não, não tem explicação”
- “Explicação, não tem” – cantou ele.
- “Não tem explicação”.
- “Explicação, não tem, não tem” – cantamos juntos finalizando a música.
Ele pulou no palco, comemorando, o pessoal estava muito animado com a nossa apresentação. Alifer e Rogério estavam perto do palco dando tchau para nós e batendo palmas. Nós agradecemos os aplausos.
- Galera vocês são demais. Nós vamos dar uma pequena pausa e já vamos voltar com muito mais Nando Reis e banda plenos poderes pra vocês – falou o Marcus.
O público foi ao delírio. Ele desceu junto comigo, ao encontro do Alifer e do Rogério;
- Só uma pergunta, vocês ensaiaram? – perguntou o Alifer e o Rogério.
- Pior é que não – falou ele – Mas parece que temos uma conexão que dá tão certo que um já sabe o que o outro vai fazer.
- Você esta dizendo que aquela hora em que você ficou quieto, você realmente tinha esquecido a musica? – perguntou Alifer. Eu fiz que sim, com a cabeça – Pareço que era ensaido.
- Olha Marcus, você é um grande cantor – falou o Rogério.
- Eu agradeço, mas não sou grande não, só estou fazendo o que eu gosto – falou ele rindo – Que bom que vocês estão aqui, muito bom velos.
Ficamos ali conversando, quando aquela bicha ridícula chegou perto do Marcus e disse:
- Como você arrasa.
- Obrigado – falou ele sem graça.
- Maravilhoso – falou ainda bem perto do Marcus.
Eu estava perto dos meninos olhando tudo. Eu vou bater nela. Era um sujeito muito estranho. Usava uma camisa xadrez vermelha, um óculo com fundo de garrafa, era bem baixinho e pelo o que eu vi andava torto, além do seu cabelo liso e preto que ia até o ombro.
- Você canta muito bem, afinadíssimo – comentou o cara.
Marcus muito sem graça agradeceu novamente. Eu estava com os braços cruzados. Eu já tinha mostrado para essa bicha que eu estou como Marcus, porque ela ainda estava achando que tinha chance?
- É sério, você são ótimos mesmo, principalmente você – falou ela.
Marcus também não estava gostando disso.
- E posso te dizer? – perguntou o intruso, ao Marcus – Você é um arraso, lindão.
Eu vou bater nessa bicha. Vou segurar ela e vou falar: “Para de falar do meu namorado”, mas o problema é que nem estamos juntos, nós nos conhecemos a dois dias. O Marcus não vai querer pegar essa bicha ridícula no dia do meu aniversario né? Por favor, não. Eu deveria ter nascido hetero, seria muito fácil.
Marcus novamente agradeceu, ele estava muito sem graça.
- Olha, eu vou beber alguma coisa no bar – falei para o Marcus – Essa cena não está me descendo. Porque se eu ficar aqui eu vou dar na cara dessa bicha - eu estava apontando para a bicha.
- Ué meu bem, quem mandou ter um bofé bonito – falou ele chegando perto do Marcus - Eu quero você, cantor.
- Cara, eu estou acompanhado – falou o Marcus segurando em minhas mãos – Ta vendo esse rapaz aqui? É com ele que eu estou, então respeita.
- Não estou vendo nenhum anel – comentou a bicha.
Eu sai de lá, fui em direção ao bar, Marcus veio atrás de mim.
- Paulo, espera – falou ele.
Eu parei e fiquei olhando pra ele.
- Porque você saiu de lá? Eu falei para ele que estamos juntos.
- Eu sei disso e foi lindo, mas eu sai de lá para não bater naquela bicha e estragar tudo.
- Paulinho, não foi culpa minha, ele que falou um monte de coisas.
- Sei que você não é culpa sua de você ser bonito, eu sei que não posso ficar assim, a gente não tem nada, eu te conheço a dois dias – falei ainda irritado, não com o Marcus e sim com aquela bicha “escrota”.
Marcus me olhava nos olhos (eu amo pessoas que olham nos olhos). Ele estava sério.
- Eu estou com você meu lindo e não vou te deixar – disse o Marcus rapaz.
Porque eu estava tão bravo? Ele ainda segurou em minhas mãos e falou que estava comigo. Acho que eu estava tão irritada e com tanto ciúmes, que eu não estava conseguindo pensar direito.
- Aliás, quem disse que a gente não tem nada? – perguntou o Marcus – Paulo, você me faz sentir diferente, você é um presente para mim. Eu me sinto com você, desde o momento em que nos reencontramos.
Fiquei só olhando sem conseguir dizer nada. O pessoal da banda estava chamando o cantor.
- Tá tudo bem? – perguntou Marcus a mim – Me fala que sim, por favor.
- Sim, me desculpe – falei – Vai lá e quebra tudo.
- Não posso quebrar tudo meu anjo, a maioria das coisas é emprestado – falou ele rindo - Para de ser bobo Paulo, eu sou completamente louco por você.
Ele foi para o palco. O Jerson chegou do meu lado, ele estava de mãos dadas com o Bernardo.
- Que cara é essa amigo? – perguntou o Jeh a mim.
- Um cara deu em cima do Marcus, eu morri de ciúmes e briguei com o Marcus.
- E como ele reagiu? - perguntou ele.
- No começo ele ficou quieto, depois ele segurou em minha mão e disse que estava comigo. Ele ficou totalmente desconcertado - ele olhando para o Bernardo com o Jeh, eu disse – E vocês não perdem tempo – falei rindo.
- Não perdemos mesmo, quem faz as coisas devagar é lesma – falou o jeh.
Bernardo só ria das gracinhas do Jerson. Alifer e Rogério também chegaram, perto de nós. Marcus em cima do palco chamou a atenção de todos.
- Galera, voltamos com mais energia do que nunca.
O povo gritava.
- Que quero falar sobre o amor.
O povo gritava novamente.
- Existe um tempo correto para saber se esta gostando de alguém? – perguntou ele ao publico.
Eles gritaram que não.
- Tem uma pessoa importante na minha vida, que eu conheço há pouco tempo e cada momento que a gente conversa eu gosto mais. Como a gente disse, não existe o tempo correto para gostar de alguém. Simplesmente se gosta e pronto – e pedindo uma luz em cima de mim, ele disse – Paulo, pra você guardei o meu amor.
A banda começou a tocar a música: Pra você guardei o meu amor.
- “Pra você guardei o amor que nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar, sem entregar, e repartir. Pra você guardei o amor, que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar, e permitir.”
Ele desceu do palco e havia uma luz focando em mim e a outra nele.
- “Quem acolher o que ele tem e traz, quem entende, o que ele diz, no giz do gesto o jeito pronto, do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio, exibe em cada olhar”.
Enquanto ele descia em minha direção, eu olhei para a bicha ridícula e fiz aquela cara de: “Ta vendo quem é que esta com ele? Sou eu, querida!”.
Marcus chegou bem perto de mim, olhei para o lado e meus amigos estavam todos no canto. Ele chegou do meu lado, pegou as minhas mãos, enquanto dançando comigo, continuou cantando, mas no pé do meu ouvido.
- “Guardei, sem ter porquê, nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu de me mostrar. Achei vendo em você e explicação nenhuma isso requer se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar.”
Todos mundo nos olhavam aplaudindo. A música abaixou. Marcus se ajoelhou e segurando as minhas mãos, ele declamou a música.
- Paulo, pra você guardei o meu amor. Tanto tempo esperando a pessoa certa e agora eu sei que ela está aqui na minha frente, “esse amor que aprendi vendo os meus pais, o amor que tive e recebi e hoje posso dar lhe, livre e feliz”, depois de procurar tanto, eu tenho certeza que encontrei. Paulo Mendes Gradiole, daria a imensa honra de namorar comigo?
Eu tinha a maior demonstração de carinho, vindo da pessoa mais bela. Será que eu merecia isso? Será que eu deveria ou melhor era eu continuar tranquilo no meu canto? Eu tinha que me dar aquela chance.
- Sim, eu aceito! – falei feliz.
Ele mostrou a felicidade na próxima frase da música:
- “Vou nascer de novo”.
Ele se levantou, me abraçou e me beijou. O povo foi ao delírio, aplaudiam loucamente. Bernardo tinha puxado o Jeh e também beijava-o, Alifer e Rogério também faziam o mesmo. Estava parecendo uma manifestação contra homobofia, de tantas bichas e hetero se beijando. Tinha um pressentimento que minha vida havia mudado e agora tudo seria diferente, para melhor!
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